terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
RECULUTANDO AUSÊNCIAS!
Viajei outro dia pra rever irmãos distantes// e também alguma amizade extraviada// ajoujada ia comigo a prenda querida //atrás ficava metade de nossa vida//a frente outra metade pra ser vivida// Com astro-rei a iluminar a estrada //rumamos pra Santa Maria no setentrião//onde sempre temos muito carinho//das cunhadas e amigos em nosso caminho//além do mais velho e dileto irmão. Chegamos na buliçosa Santa Maria //ao anoitecer e qual ignotos filhos//sem fazer reservas em hotel algum//e não dispostos a fazer zumzum//decidimos ir pernoitar em Julio de Castilhos. Efetuamos o trajeto sem tropelias//já comemorando alguma qualidade// ao esquivarmos da fusarca juvenil//tão ao gosto da moçada estudantil// que perturba o sono em nossa idade. Um pequeno hotel à beira da rodovia//administrado por três membros da família// conquistou a nossa preferência//pela simplicidade, limpeza e a descência// da recepção até a portaria e a mobília. Os degraus da escada do aposento//com bom gosto e originalidade//chamou logo nossa atenção//na homenagem ao Pai da Aviação//criador e inventor de genialidade. Depois do banho restaurador// saboreamos caprichado lanche com legumes//providenciados pelo gentil hospedeiro//que àquela hora liberou o cozinheiro//ademais de jantar não temos costume. Aposento mui asseado e roupas impecáveis //na cama, banheiro e até na pia//convidando os viajores ao descanso// no ambiente bem acolhedor e manso//graças a dedicação do proprietário, sua mãe e uma tia. Dormimos um sono dos justos//e pela manhã em lugar dos galos//nos anunciar o novo dia raiando//ouvimos ruidosos motores roncando//tocados por centenas de potentes cavalos. Deixamos a cama quase de um salto//e após uma bela ducha pra reanimar//tomamos fartos cafés bem quentes// antes de retomar a busca de meus parentes//que a distância estava a separar//Passamos ao largo da histórica Cruz Alta//berço do Érico Veríssimo imortal//notável escritor d'O TEMPO E O VENTO// sobre nossa gente obra- monumento// épico integrante da literatura universal . Tomamos o rumo do planalto médio/e aqui o progresso é de outro mundo//passamos Ibirubá, Não-me-toque e Colorado//lavouras e indústrias pra todo lado//sempre na direção de Passo Fundo. Intenso tráfego de feriado nas rodovias//trevos e viadutos não faltaram no caminho// com a atenção para evitar surpresas//perdi da primavera muitas belezas//mas finalmente chegamos em Carazinho. Encontramos a cidade muito modificada//pelo progresso e tanto tempo passado//Procurando meu irmão só não fiquei pinel//pelo favor de um motorista de aluguel//que nos levou ao endereço indicado.
Encontrei meu irmão muito disposto//embora já bastante surrado//pelos longos anos de trabalho e rigor//conservando ainda muita força e vigor//para usufruir a vida de aposentado. A maturidade nos tornou bem diferentes//de quando fomos moleques e colegiais//nos abandonou o viço e o brilho do olhar//mas restam muitas histórias a contar//nas quais nos consideramos geniais//Após bebermos uma cambona d'água em mates//nos convidou para o almoço a cunhada//alegando com alguma autoridade//conhecer o mentiroso desde a mocidade//mas ainda não se sente cançada. Mesa simples mas muita fartura//foi logo anunciando o meu irmão//que pra comer não cultiva nenhum luxo//carnes, feijoada, arroz e macarrão//e algum verde pra destrancar o buxo. Bebida espirituosa não se ouviu falar//mesmo que fosse uma gota pra remédio//Nem cigarros de que até criou tédio//pelos males que costumam causar//Na sobremesa saboreamos laranjas//do quintal entorno da moradia//por ele mesmo construída com esmero///à semelhança do mestre joão barreiro//pois desde guri cultiva inteligência e ousadia. Na garupa da tarde que fugia a galope//entre as nossas muitas gabolices//meu mano avisou aos filhos noutra cidade//que os tios queriam matar a saudade//deles que não viam desde a meninice. Sua prenda com bondade e paciência o amadrinha//desde os primeiros anos pela ferrovia//enfrentando as situações com muita manha//na alegria e na tristeza o acompanha//e raramente não vê a vida ser como queria.//Pra nos entreter pilheirou da própria sorte// com um polegar na serra circular truncado //que agora mais parece uma cabeça de cágado/ consequência do estranho corte. Quando o resto do dia cobriu-se de fumo// jantamos de maneira muito moderada// café, biscoitos e pão com pouca chimia// sem queijo, pois vou dirigir n'outro dia//e quero evitar a barriga estufada. Depois de escutar mais alguns causos// pedimos pousada e licença pra deitar// assim uma noite inteira de bom sono //por certo nos devolveria o entono// que a longa jornada acabara de tirar. Dormi pouco mas acordei com satisfação/ por encontrar meus pares muito bem de vida //com boa saúde, paz e nenhum conflito//graças ao Espírito Universal Infinito// cuja humanidade inteira Lhe deve guarida. Ao levantar achei o irmão cevando o mate // enquanto sua prenda já resmungava// na cozinha arrumando um bom café// e falando que saco vazio não pára em pé// eu respondi que muito cheio estourava. Foi rápido o desjejum logo vindo a despedida//com o trânsito matinal na consciência//e muitos trevos que me pareciam esquecidos// Uns motoristas malevas, outros atrevidos// e este tal feriado da Independência. Após beijos e chinchados quebra costelas// com o carro já lotado e abastecido// nos despedimos tal irmãos e cunhados //muito felizes e até mesmo aliviados//pela alegria de nos terem recebido. Na estrada o trânsito agora tinha mudado/carros com excesso de velocidade//usavam a pista que era do transporte pesado/ até a saída de Cruz Alta rumo a Colorado/ sempre em rodovia de boa qualidade. Pra trás deixamos o distrito de Pulador//que integra a histórica Passo Fundo// onde maragatos combateram ximangos outrora//no alvorecer da Rio Grandense aurora//numa das mais sangrentas refregas do mundo. Adiante esperava mais um nome histórico// na cidade do ximango Júlio de Castilhos // político hábil e advogado idealista/além de inconteste líder positivista/ lídimo herdeiro dos valorosos Caudilhos. O astro-rei a pino nos mandou ao repasto/e com o tal de apetite a nos fustigar,// chegamos numa galeteria muito ajeitada// que encontramos ali na beira da estrada,/ fizemos o pedido e quedamos a esperar. "Vai demorar um pouco" nos disse o garçom/ parecendo muito novo mas bem educado/; "fica um pouco distante o nosso aviário" !/ gozou outro que devia ser o proprietário// dando sinais de ser muito informado. Serviram primeiro toda a guarnição/ e finalmente trouxeram a jovem penosa// E para beber?, perguntou para mim// vinho branco seco de Val Feltrim!// respondi, e guaraná para a esposa. Comida boa e ambiente muito agradável/ elogiei logo para o alegre comunicador//que agradeceu e indagou com quem falava//de onde eu era e também por onde andava//sem tirar o olhar do meu chaveiro traidor. Falei que conhecia bem aquela cidade/ nela tinha trabalhado como vendedor// citando ainda nomes de um colega antigo// e de outro companheiro e ilustre amigo // que em Tupanciretã era grande doutor. Foi então que o empresário contou o fato/resumindo muito magoado o triste caso// do falecimento dos velhos genitores//acarretando insuportáveis dores //e o suicídio de meu amigo Carlos Mazo. Incrédulos ouvimos a pavorosa notícia/ e com minhas idéias em grande rebuliço/ nos despedimos do arauto sem ter pejo// mas demonstrando nosso grande desejo// de saber pormenores do trágico sumiço. Para revermos outros irmãos restantes//seguimos perplexos rumo de Santa Maria//que sendo ainda um pouco mais velhos // se constituem nossos grandes espelhos// a nos mirar nesta longa e vital romaria. Fomos direto pra casa de meu dileto mano / que do trabalho não tinha chegado ainda// contou sua esposa com pouca entonação/ falando com certo pesar no seu coração// pois já não nos víramos em nossa vinda. Pouco assunto e fomos ver outra cunhada/ última irmã da minha esposa que resta/ e nos acolhe sempre com alguma festa// morando ao lado da neta e da filha casada. Temos outros parentes e amigos em apreço/ que requerem muita atenção e carinho/ mas sempre falta tempo para os visitar//além das virtuais preferências a pagar//pois o tempo galopeia mas é longo o caminho. Pouca demora!, e "até a volta se Deus quiser"/dito com o motor já um tanto acelerado /e o veículo se alinhando para o poente/pras bandas em que empecei a ser gente/ sentindo serenar meu espírito lacerado. Tomamos o rumo de minha região natal/ buscando talvez refazer a mente estropiada/ passando pela centenária General Vargas /sentindo eflúvios do Loreto em descargas / seguindo em disparada pro Cacequi fatal. Chegando aqui não encontrei o que buscava/ da velha moradia e do primeiro colégio//nada mais era ou estava tudo mudado// Na rua agora só algum olhar encovado //e de outrora sequer vi um sortilégio. Ao abastecer num moderno posto central/ fui informado de vários nomes lembrados// alguns que se foram pra outra cidade// buscando realizar um ideal de mocidade// e outros com a saúde precária ou acabados. Nestes estava o casal Oscar-Ruth Machado/ que costumava ter uma notícia histórica//sobre o antigo Cacequi dos pescadores//ou do velho Ibicui com seus vapores// pra contar sempre com muita retórica. Abatido com tantas amizades que partiram/ meu espírito ainda esboçou certa reação// e feliz por ter a prenda querida ao meu lado/ revi no repente nosso recente passado/ e concluímos que era tempo de recreação. Com o tanque cheio encaramos a estrada/ em direção a Rivera na Banda Oriental/ decididos a não voltar pra Santa Maria/e a ficar em nossa cidade no outro dia/se Deus permitisse andar tudo normal. Percorremos a RS-640 até próximo de Rosário/servida pela BR-290 que leva a Uruguaiana// e dá acesso a BR-158 cuja vista à distância// contempla na direita toda a elegância// da Serra do Caverá muito antes de Santana. O Feriado Nacional atraíra aos ricos/ shoppings de Rivera muitos turistas// que movidos pelo dólar a preço atraente// fizeram das lojas um formigueiro de gente//e depois converteram as estradas em pistas. Tomamos cuidados com tais fatos viciosos/ chegando em segurança ao destino visado// atravessamos a linda e cuidada Santana// que com a vizinha Rivera há muito se irmana//e aqui quase sempre fico bem hospedado. Fomos direto como tantas vezes fizemos/ desencilhar o nosso já surrado fordeco// ao lado de outros belos e fogosos corcéis// depois exibimos das bodas nossos anéis// e a modesta bagagem com algum cacareco. Na recepção uma moça nos desejou boa noite/ num já familiar sotaque bem fronteiriço// pedindo minhas identidade e assinatura/pra evitar alguma surpresa ou amargura// e nos confiando pra camareira de serviço. Esta nos instalou num singelo aposento / do austero hotel já reformado por antigo// sem muito luxo mas bastante agradável//dispondo mesmo de uma boa cama inflável//onde até relaxamos antes do banho amigo. Saímos a passear e olhar algumas vitrines/ após cearmos um saboroso peixe badejo // regado por uma nobre Patrícia gelada//sob os atentos olhares da prenda amuada/ já exibindo sinais do peregrinar andejo. Nos recolhemos ainda muito cedo ao hotel/ nem sequer fomos ao tradicional cassino// pra arriscar nossos controlados cobres// temendo por certo ficarmos mais pobres// pois assim penso e ajo desde ainda menino. Assistimos um pouco de TV em Castelhano/e dormimos rodeados de anjos espirituais // que nos guardam sempre pela vida inteira/bastando tão somente que a gente queira/ a companhia desses guardiães celestiais. Outro banho rápido logo ao iniciar o dia/ nos preparou para outra grande jornada/ e após tomarmos um farto e saboroso café/ quitamos a conta e de novo saímos a pé/ encontrando alguma loja ainda fechada. Nas lojas abertas achei o que procurava/ mesmo algum supérfluo objeto de nosso desejo//duas balanças para controlar as calorias// algum vinho chileno e outras iguarias//não esquecendo uns belos nacos de queijo. Abastecidos e refeitos nos despedimos/ das hospitaleiras Rivera e Livramento // já pensando onde seria a próxima parada //pois sendo bastante longa essa estrada//já quando vendedor não me era do contento. Adiante chegamos na cidade de Dom Pedrito/ que deve aos índios Minuanos o seu nome/ buscando algum restaurante ou lancheria//cuidando que não servissem comida fria// mas não achando fomos a Bagé saciar a fome. Achamos a Rainha da Fronteira em festa/ comemorando feliz a histórica maravilha/ de ter sido o palco da batalha do Seival/ cujo chefe Souza Neto mais tarde General/ proclamou em 35 a República Farroupilha. Após rápida volta no centro em rebuliço// entramos na Santa Tecla, famosa avenida// lembrando um grande formigueiro em ação//devido o intenso movimento e circulação// onde finalmente encontramos comida. Num restaurante desses à beira da estrada/ onde comem caminhoneiros, sem ostentação/ com um cardápio simples e a mesa singela// pra que o estômago não devorasse a goela//e não viesse complicar nossa digestão. Frutas e legumes sem exagerar na carne// e logo terminamos com o maneiro almoço / saindo ali pelo entorno mesmo a caminhar/ pra mais fácil nosso alimento desgastar/ enquanto nosso celular tocava em alvoroço. Era a Dádiva Divina em nosso amado filho//alegando fundados motivos de inquietude/ agastado com as chamadas sem resposta// para os velhos pais dos quais gosta//que saíram a campear a perdida juventude.
Depois de ouvirmos nosso zeloso herdeiro/ voltamos meio chateados para a estrada// que costuma punir os incautos com rigor// causando muitos prejuízos e dissabor// além de muita vida prematura arrebatada. Tal já ocorreu nesta região em que outrora/muitos, na Ibéria irmãos, em encarniçadas// e memoráveis campanhas de conquistas// sem nunca tirar os inimigos das vistas// nem das ricas terras por Deus abençoadas. Passamos por Hulha Negra e Candiota onde/ tem uma grande Geradora termoelétrica//que fornece muita força e a bela centelha/ que ilumina a Terra do Vinho e da Feovelha/ e uma histórica região que já foi tétrica. Por aqui nasceu a República Farroupilha/ cujo solo sagrado imitando a cor do breu/ pois foi encharcado no sangue dos imunes/ LANCEIROS NEGROS DE TEIXEIRA NUNES/ chacinados por Chico Pedro de Abreu. Jamais tal página será varrida da história/ de uma nação cujo penhor de dignidade// fora ardilosa e covardemente forjado/contra um bando de negros somente armado/ de lança e a falsa Promessa de Liberdade. Mas não vou, por certo, arrumar a história/ que alguém com acento já disse ser feita/ de reparações salutares e justiças tardias/ e muitas vezes até nos servem como guias/ contra as ações que a Lei Divina rejeita. Na cidade com o nome de Pinheiro Machado/ hábil chimango, senador e herói nacional/ fomos atentos com a polícia rodoviária/que nos parece sempre deveras temerária/ pra aquele que não respeita o código legal. Bem adiante cruzamos o trevo para Piratiní / Capital Farroupilha na época do Império/ vendo na distância até algum cemitério/ em que há muito repousam bravos por aqui. Esta viagem se aproximava agora do termo/ já nos deixando no âmago uma merencória/ sensação de nosso dever de fraternidade/ com os irmãos e também de fidelidade/ realizado aos amigos marcados na memória. Setenta e duas horas durou tal andejar/ por duzentas e vinte léguas nas querências//dos pontos cardeais escapando o nascente/ onde desconheço algum amigo ou parente/ a quem devamos prestar mais reverências.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
OS PODEROSOS CONTAM A VITÓRIA!.
De tanto ver, ler e escutar / histórias de antepassados guapos/umas impregnadas de aparente cinismo //outras repletas de palpitante heroismo/reportando à Guerra dos Farrapos!. Não tenho de historiador a erudição/Porém do decênio dessa história//retenho ainda alguma memória. Tão várias e tantas as versões//lembrando também com fundamento// mesmo como provável documento/ aquelas vertidas em Platinas traduções. Se aos oprimidos impõe cumprir/ normas que são leis// inventadas por poderosos e reis/ cumpre-nos o dever questionar// muitos dos contos retóricos// sobre fatos históricos// apresentando os arrogantes vencedores/ em detrimento de supostos perdedores. Fazem todos eles a história da humanidade/que se extravia nos tempos idos//desde veteranos heróis destemidos/até oportunistas campeando alguma notoriedade. Obrou sempre a humana raça/ assim, nos mostra a experiência// Se não cambiar nossa consciência/do materialismo para o transcendental//nos julgue a inflexível Justiça Universal!. Esta tenhamos todos a convicção/ pode ter até vã a aparência // contudo agucemos nossa tenência / para as atitudes que a vida ralha//pois o Divino Código de Leis não falha. A todas estas meu fraterno/ insanas rimas e parco versejar// te rogo cerrar atentos olhos/cambiando-os em abrolhos// pras coisas outras que´stou a contar. Do decênio heróico perdemos a cronologia/ em meio da existência em turbilhão// acolhendo qualquer conto como um legado / esquecendo que a justiça e a razão // podem não estar no mesmo lado. Está tudo registrado em algum lugar/ desde a velha Creta do Minotauro//até nossa Epopéia dos Centauros//São sempre mesmos os resultados//Poderosos fazem a guerra pagam a conta os coitados. Não se ofenda, por meu xucro linguajar/ por favor te rogo meu patrício//pois o amanonciei com algum vício//carregado de penas e muitas manhas// que ainda conservo do inocente oriundo da Campanha.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
CULATRA DE MEMÓRIAS
- Pela janela vislumbrei hoje cedo/crianças encorujadas buscando seu destino//trazendo de volta meus dias de menino/e o distante passado que se foi//repontando campos repletos de bois//e as quinchas caprichadas outrora brancas de geadas!. Por algum tempo quedei a cismar/estaria recordando ou a sonhar?//com o tempo guri que passou/deixando marcas no que ainda sou//algumas fantasiando histórias/mas todas construindo memórias. Passou o ontem e também/longe em remembranças se esvaí/muitas entropilhadas de aís/outras de tão prasenteiras//alegrarão por certo a vida inteira. Reviver pra dentro é recordar/rememorando a existência vivida/um pouco da infância perdida/na constante busca do onde//o baldoso destino se esconde. Em realidade não se encontra perdida/ mas se constituindo em verdadeiro espelho/ a refletir a habilidade de pelejador velho / que dissipou em antigas batalhas ingentes// a energia de jovem inexperiente. Assim da natureza as leis/ estabelecem em preceito sagrado/Não tenha o homem na senectude/ a performance vital da juventude// nem pretenda o jovem infantil// a experiência que contempla o senil.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A FARMÁCIA E O FARMACÊUTICO...
Após quase quatro décadas de familiaridade com a área farmacêutica concordamos, eu e minha esposa, que chegara a oportunidade de constituirmos nossa própria farmácia. Na realidade seria uma drogaria. Assim eram entendidos os estabelecimentos que dispensavam, ou vendiam, especialidades farmacêuticas já industrializadas, prontas para uso terapêutico. A especificação 'farmácia' refere-se aos estabelecimentos que manipulam fórmulas magistrais reclamadas pelo receituário médico, não era nosso caso. Trabalharíamos com medicamentos já consagrados pelo uso popular, além de alguns fitoterápicos e homeopatias, cosméticos e alguma perfumaria, bem como artigos para higiene e congêneres. Era essa a nossa proposta ao iniciarmos. Com 'capital' limitado deveríamos nos entrosar perfeitamente antes de tentar alçar vôos mais altos. Embora pequeno, o empreendimento fora bem planejado e voltado para 'nichos' bem definidos. Iria suprir a demanda nos dias e horário em que as outras drogarias não atendiam. Tínhamos amigos que reclamavam a falta de profissional farmacêutico nas mesmas. Combinando minhas experiência e competência profissional com a necessidade de melhorar o teto para aposentadoria e a especial disposição de minha esposa, não enxergamos maiores riscos no empreendimento. Compramos prateleiras, utensílios e modesto estoque remanescente de uma drogaria que estava à venda há algum tempo. Alugamos o mesmo prédio, fizemos enérgica limpeza e pinturas com novas cores e disposição dos móveis. Adquirimos mais algumas prateleiras e expositores para 'Self service'. Divulgamos na mídia local o estabelecimento e a nossa proposta de serviços profissionais para todas as idades, com ênfase nos preços especiais para idosos e aposentados, além da experiente e permanente assistência farmacêutica. Finalmente no dia dezoito de dezembro de 2.001 inauguramos nossa drogaria. Somente aí é que telefonamos para o nosso filho, no Rio de Janeiro, informando-o de nossa 'proeza'. Ele nos encorajou muito e mais tarde até passou a nos enviar CD's com 'comerciais' para incrementar o progresso da 'farmacinha' como, carinhosamente, a trataríamos. O primeiro dia apresentou um 'faturamento' modesto, decorrente do pouco estoque e muitas faltas. Nos dias subseqüentes, com as faltas gradativamente sanadas, às custas de mercadoria recebida de pedidos realizados no dia anterior, o faturamento gradualmente foi aumentando e nos enchendo de entusiasmo. Lá pelo sexto mês de vendas, já percebíamos a necessidade de ampliar o investimento. Discuti o assunto com minha esposa e sócia co-proprietária. Tentamos examinar a questão objetiva e racionalmente, à luz de nossa realidade. Aguardaríamos mais um pouco. A procura por nossa drogaria era satisfatória. As restrições referiam-se a não oferecermos crediário e também não realizarmos manipulação de fórmulas. Fomos os primeiros a apostar nos medicamentos 'GENÉRICOS' mas esses não faziam esquecer a manipulação. Esta, na minha visão apresentava reticências que a mídia local desconhecia e, eu por razões éticas, não devia nem podia boicotar. Isto devido ao fato de a dita manipulação estar sendo temporariamente administrada por uma drogaria cujo responsável técnico tinha sido eu próprio, até a alguns meses atrás. E fora um dos motivos de eu desligar-me da referida drogaria cujo proprietário decidira criar o 'serviço de manipulação' sem ouvir minhas ponderações técnicas. Alegara que não havia necessidade de revisão contratual(TAC-'termo de ajustamento de conduta') pois quem executaria os procedimentos não seria eu. Isto me prejudicaria duplamente pois eu não receberia pela responsabilidade técnica da manipulação e ainda arcaria como responsável-técnico pela mesma, mesmo sem saber quem e com que critérios a realizavam. Sem outro entendimento cancelamos nosso contrato de trabalho. A seguir fiz um balanço nas finanças e decidi com minha esposa montar nossa própria farmácia que era uma aspiração antiga e cuja possibilidade já especulávamos desde algum tempo. Os resultados mostravam-se animadores deixando-nos com a impressão de termos decidido acertadamente pois a completar um ano de atividade, com estoque sempre atualizado, contabilizávamos faturamentos sempre crescentes. Foi então que um 'velho amigo' resolveu nos importunar mais uma vez: ameaçadoramente o rio piratini começou a encher e transbordar. Suas águas já invadiam as ruas centrais da vizinha cidade de Cerrito e a chuva continuava copiosa. Assustamo-nos. Ressabiado pelas enchentes de 83 e 92, decidi salvar o estoque de mercadorias. Comecei lá pelas dez horas da noite: enchia sacos plásticos com medicamentos, por ordem alfabética, e os colocava no 'fiestinha', transportando-os pra nossa casa que fica na coxilha. Apelar para terceiros nem pensar, pois nessas ocasiões imitamos as formigas: 'cada um carrega seu fardo ou trouxa'. Levava uma carga e vinha buscar outra. No intervalo dava uma controlada nas águas do traiçoeiro rio. Lá pelas três horas da madrugada estava concluída a transferência do estoque, documentos, equipamentos e objetos de uso e utensilhos menores, potencialmente perecíveis nessas situações. Ao amanhecer, em meio a uma multidão que varou a noite observando o avançar das águas, começou a circular a notícia que a chuva havia dado uma trégua nas cabeceiras dos rios Piratini e Santa Maria da Orqueta. Eram informações comunicadas desde as cidades de Piratini e Herval, respectivamente. O dia transcorreu com o rebelde rio 'bufando', mas ainda indeciso. Lá pelas tantas nova informação dava conta que as águas estavam 'recuando'. Entretanto ainda pairava no ar um 'ambiente pesado de enchente': céu muito carregado e um certo 'calor de desconfiar', segundo os mais antigos e experientes citadinos. Aguardamos, assim como a maioria dos demais comerciantes do centro de nossa cidade. No terceiro dia as águas continuaram baixando e isso nos animou a retornar para nossos estabelecimentos comerciais. Afastado o risco de enchente voltamo-nos para reorganizar nossa farmacinha. Atiramo-nos, eu e minha esposa-sócia, 'de corpo e alma' na drogaria, visando recuperar o tempo perdido com a ameaça do velho rio. Desta vez ficara só na 'ameaça', felizmente. Entretanto, e neste instante, acode-me um pensamento um tanto arredio. É como se somente agora eu estivesse a perceber o efeito de 'ducha fria' que aquela ameaça de enchente exerceu sobre os nossos ânimos. No ano seguinte me submeti a uma cirurgia de Hemorróidas que me afastou três dias do serviço. Para nos auxiliar contratamos, por alguns meses, uma senhora experiente no serviço, já aposentada. Nos deu uma idéia de custos, orientando nossa intenção de contratar um empregado . Coincidência ou não, fato é que o estado de coisas já não nos entusiasmava como antes. Uma vez mais decidi trocar opinião com minha esposa. Até pensamos em 'encilhar' o negócio com mais aporte de recursos financeiros. Para tanto ainda tínhamos uma pequena reserva técnica, além da faixa de crédito bancário que nossa firma nunca havia utilizado. Entendíamos que estivéramos a colher os frutos proporcionais ao investimento realizado até então. Doravante, para continuarmos a crescer, imperioso era que efetuássemos novos investimentos na ampliação e modernização da drogaria, tornado-a mais competitiva. Minha esposa não era muito a favor de maiores investimentos. Já trabalhávamos muito, principalmente ela que, paralelamente, ainda administrava nossa casa que não é pequena. Novos investimentos aumentariam o faturamento e também as despesas, pois obrigariam a contratar, permanentemente um funcionário, no mínimo, com todos os custos e encargos sociais legais. E isso não representaria mais lucro nem vantagem de qualquer ordem para nos dois. Eu, como responsável técnico, teria que continuar presente na drogaria, enquanto ela estivesse aberta(às vezes trabalhava até a meia-noite), cerca de quatorze horas diárias. Estava demais, mas de conformidade com a lei. Era o proprietário, conhecia a legislação pertinente. Se não a observasse, moral e eticamente como eu ficaria ante às exigências sanitárias e os consumidores de medicamentos que têm todo o direito de exigir a assistência pelo farmacêutico?. Postas como estavam as coisas, cumpria-nos aguardar ocorresse uma idéia brilhante capaz de iluminar o caminho a seguirmos. Entrementes nosso Guarda-Livros informa-nos que uma chamada 'operação pente-fino', da Secretaria Fazendária Estadual, tinha autuado todas as farmácias da região. Fôramos 'contemplados' com uma multa de cerca de dez mil reais, por conta de notas de vendas à vista eventualmente não tiradas. Se pagos no prazo estipulado ficaria pela metade. Ora vejam!, considerei a tal multa um verdadeiro 'achaque' contra quem ainda trabalha e produz. Isto por que já recolhíamos o Imposto sobre vendas presumíveis calculado sobre o total da fatura-fiscal quando a mercadoria encomendada saía do depósito das distribuidoras. Outra modalidade fora a 'indústria do lacre' nas placas dos automóveis. Funcionava assim: um funcionário estadual, ou até um 'flanelinha', aproveitava um 'pestanejo' no trânsito ou estacionamento e rompia o lacre da placa com o alicate. A seguir o veículo era autuado e o proprietário intimado a recolocar o lacre. Todos procedimentos que rendiam recursos que financiavam programas e campanhas políticas espúrias. Essas e outras arbitrariedades cometidas contra o cidadão que trabalha para poder gerar alguma renda e tributos, acabam por 'esfriar' e desencorajar muitos pequenos e mesmo médios empreendedores. Era inevitável que acontecesse conosco também. A par de todo o apoio que nosso filho nos oferecia, mesmo à distância, não nos achamos no dever de resistir e continuar investindo no setor farmacêutico. A regularização de uma pequena drogaria exige um longo, complicado, cansativo e dispendioso processo burocrático, a nível municipal, estadual e federal. Quando o proprietário é o próprio farmacêutico ele não paga Responsável Técnico mas também dificilmente consegue fazer 'retiradas' equivalentes ao que receberia como tal, na condição de empregado. É ainda o farmacêutico que paga todas as taxas de suas entidades de classe e as da empresa de que participa, quando sócio ou proprietário. Em conseqüência são raros os profissionais bem sucedidos no ramo de comércio farmacêutico. Serão decerto os mesmos cujos pais lhe propiciaram estudar em Escolas Particulares e que ao findarem o Curso de Farmácia lhes regalam com uma farmácia ou drogaria, montada a preceito para tornar-se competitiva, num mercado onde existe em média o dobro de estabelecimentos necessários para atender as necessidades da população( dados da O.M.S. veiculadas na mídia). A maioria das grandes redes de drogarias ou farmácias não são propriedade de farmacêuticos. Nesse ramo existem empresários inescrupulosos cujos procedimentos podem ir desde a comercialização de mercadoria sem procedência(raramente caminhões com medicamentos roubados são recuperados) até a produção fraudulenta de remédios para doenças raras. Infelizmente não posso ignorar que existem farmacêuticos envolvidos em transações excusas. Creio tratar-se de uma porção minoritária. Posso asseverar que estou achando muito difícil ser profissional honesto em qualquer ramo de atividade em nosso País hoje. Todos esses acontecimentos contribuíram para o esfriamento de nossos ânimos com a 'farmacinha'. Some-se a eles o fato de minha esposa ter recebido a carta de aposentadoria por idade. Eu já estava aposentado por tempo de serviço a mais de uma década. Com a aposentadoria dela deveríamos repensar nossa existência futura. Sabíamos que não era muito simples transferir o empreendimento. Continuaríamos até quando fosse possível e Deus decidisse. Os impostos e as taxas públicas recrudesciam. Em dado momento o faturamento estagnou. Aluguel e serviços bancários dispararam. Grande prejuízo em medicamentos éticos cujo prazo de validade esgotara por falta de receituário médico. As farmácias maiores, mais antigas e sólidas resistiriam. Nosso município, agora empobrecido, havia perdido a capacidade de atrair e reter médicos especialistas e seus respectivos receituários. A manutenção de estoques mostrava-se onerosa. Alguns fregueses tradicionais transferiram-se para outras cidades com mais recursos. Muitos dos que permaneceram na cidade são aposentados. Estes costumam comprar no crediário e às vezes se tornam inadimplentes. Se apertar a cobrança migram para outro estabelecimento com mais fôlego, ou se socorrem na Justiça que estabelece normas rígidas de cobrança contra os comerciantes. E éramos ainda 'aprendizes' de comerciantes, mesmo que na idade sejamos vovôs. Enfrentávamos todas estas adversidades e mais a limitação da saúde que já nos fazia claudicantes. Minha esposa, que traumatizara um joelho quando mais jovem, sofria agora de artrose. Eu, em conseqüência dos traumatismos sofridos no braço direito- já relatados anteriormente- passei a padecer de artrose de cotovelo. Ainda assim reagimos e contratamos uma administradora de Cartão de Crédito que já começava a dar sinais promissores quando surgiu um interessado em nos comprar a 'farmacinha'. Não a vendemos imediatamente. Conjeturamos durante algum tempo. Em dado momento a razão se manifestou mais fortemente e decidimos nos desfazer de nosso empreendimento. Transferimo-lo para um outro farmacêutico e seu sócio, ambos jovens e dinâmicos empreendedores, com recursos financeiros e fôlego que a atividade requer. Estão satisfeitos e continuam investindo no negócio. Havíamos desempenhado por quase sete longos anos como empresários farmacêuticos. Durante esse tempo descuidáramos até de nosso único filho, quando nos vinha ver. Na seqüência cuidaríamos de nossa saúde. Minha esposa se reprogramou e agora divide seu tempo com nossa casa, e as Artes Plásticas nas horas de folga. Eu reassumi a Responsabilidade técnica pela Farmácia Interna da Santa Casa local, pela qual já havia respondido durante um quarto de século, antes de assumir a nossa. Nas folgas faço longas caminhadas, aparo grama, capino o quintal, trato alguma fruteira e, óbvio, leio um pouco e anoto algumas memórias e idéias que despacito se vão esfumando. Aguardamos a idade apropriada para nos submeter a cirurgias de implante de próteses. Pessoalmente experimento saudosas recordações da 'farmacinha' e dos muitos amigos que me honravam com suas preferências para orientá-los em algum assunto profissional. Alguns deles vez que outra ainda me dão e pedem atenção. A grande vantagem é que agora quando nosso amado filho nos vem visitar podemos lhe dedicar todo o tempo do mundo, graças ao Onipotente Criador.
terça-feira, 18 de maio de 2010
O MICRO E O MACROCOSMO.
- Ufa!, finalmente consegui desembaraçar-me da audaciosa 'investigação do insondável'. Através dessa forma de divagação procurei esboçar um tanto discretamente a performance de grande parte de minha experiência como ser humano. Mais precisamente como Microcosmo em face ao intrincado e incomensurável Macrocosmo. Revendo minhas memórias desde aquelas referentes à infância marcada por cenas e atos rudimentares, nas Estradas de Belém, não pude deixar de me identificar no papel de integrante na formação do grupo familiar que estava contribuindo, naquelas circunstâncias, para um futuro bem mais abrangente da sociedade brasileira, a qual por sua vez viria a influenciar na esfera mundial. Dias virão em que serão amplamente difundidas as noções de que cada um ser humano consciente constitui, na realidade, a 'unidade funcional fundamental cósmica'. Já o é em nossos dias atuais, decerto. Entretanto os inúmeros interesses de ordem política, social e econômica não encorajam muitos inescrupulosos e despreparados líderes da humanidade a reconhecer e fazer difundir a importância do ser humano bem estruturado na harmonia planetária e cósmica. Algumas nações mais habilidosas enriqueceram ao explorar com sucesso outras mais novas e menos experientes. Assim transformaram-se em potências econômicas, políticas e militares. São esaas mesmas que desde a algumas décadas vêm sustentando bilionários programas de exploração do espaço inter-planetário, em renhida competição na busca do domínio espacial. Um dos objetivos dessa demanda, alegam, seria encontrar planetas cujas condições possam permitir a vida humana se perpetuar quando as Terrenas se tiverem exaurido. Nosso satélite natural, a Lua, já foi descartado quando se lhe diagnosticaram falta de tais condições. O objetivo agora está focado em Marte. Em alguns decênios, poderá ser Júpiter, Saturno ou Netuno o planeta investigado para hospedar o industrioso, irreverente e inconseqüente Homo sapiens hodierno. Caminha assim nossa humanidade. Muitas regiões de nossa Terra são desertas, outras assim estão injustificavelmente. Haja vista em grande parte do território de Israel, e principalmente dos Países Baixos, cujas costas marítimas foram transformadas em férteis áreas agrícolas. Nosso Brasil não ficou atrás na prática de aterrar o mar. A bela 'cidade maravilhosa' do Rio de Janeiro tem aproximadamente um quinto de sua área urbana ganha ao mar, através de aterros. Diferentemente, porém, ali preferiu-se 'plantar' edifícios de apartamentos visando a exploração imobiliária, com o conseqüente aumento da capacidade de fixação humana na orla marítima. Assim fica mais fácil lançar dejetos e contaminar com lixo a matriz fluida cujo seio nutriu a primeira molécula orgânica- constituinte do primordial 'trilobita', da era Paleozóica, referida por notáveis cientistas evolucionistas- que por sucessivas metamorfoses teria originado o 'Homo sapiens' que hoje a agride impiedosa e quase impunemente, pelo menos por enquanto. Mas, creio, é questão de tempo. As leis da Natureza são inflexíveis, tardam mas não falham. Quem viver verá!. E verificará a dimensão do equívoco humano que, ainda sem conhecer a plenitude do mar onde originou sua vida, ousa aventurar-se agora no espaço cósmico, buscando um outro planeta capaz de o hospedar e, como recompensa, vir no futuro sofrer a destruição, a exemplo do que vem hoje ocorrendo com nossa mãe Terra. Fato esse que está tirando o sossego de muitos 'terráqueos'. Entre esses me encontro!. E quase sem perceber, me enredava em novas divagações, quando , 'en passant', abordei a contaminação por dejetos que costumamos lançar na orla marítima. Este fato mexeu com restos de memória dos anos em que eu realizava análises clínicas. Recordei da Parasitologia Clínica. Particularmente do Exame Coprológico como é conhecido, no âmbito profissional, o exame de fezes. Por sinal um exame muito valioso para o interessado, atento e experiente Clínico que no laudo certamente saberá decifrar informações indicativas de normalidade ou de irregularidade na saúde do indivíduo. Com freqüência o médico requisita esse exame com o fito de orientar-se, ou como auxiliar na elucidação da queixa manifestada pelo paciente. Para isto é imperioso que o Laudo laboratorial seja confiável. E criterioso. Em nosso laboratório eu costumava enfatizar que o 'exame começava com a orientação para obter a amostra do material a ser examinado, e terminava no momento em que o resultado era entregue ao paciente'. Assim as instruções oferecidas ao candidato deviam ser muito claras e seguidas à risca. Por vezes diante da aparente dúvida por parte do paciente, eu questionava se me havia feito entender. Era freqüente pedir que repetissem os pontos considerados obscuros, que alegavam não entender nas instruções verbais, e mesmo nas escritas. Creio que alguns até deixaram de realizar exames comigo por julgarem-me demasiado impertinente até com 'um simples exame de fezes'. Pode parecer simples mas requer certos cuidados, perícia e até discrição. Como justificar, por exemplo, a presença de espermatozóides em material escatológico. Era imprescindível conseguir outra amostra com todos os cuidados exigíveis para não haver contaminação na coleta. Deste modo podia-se evitar até constrangimentos, naqueles dias. Era norma no nosso serviço. Minha esposa adotou tal costume e secundava-me nos procedimentos, desde o agendamento, recepção das amostras com identificação rigorosa, exame qualitativo e preparação das mesmas para eu realizar a microscopia, e finalmente o 'rascunho' dos Laudos pertinentes. Meu filho, já referi, datilografava o resultado dos ditos cujos e os encaminhava ao meu crivo e assinatura, se estivesse de acordo. Às vezes eu rejeitava alguma letra batida em cima de outra e inutilizava o trabalho, requerendo outro resultado sem rasuras. Não era raro determinado resultado chamar minha atenção. Neste caso eu repetia o exame, ou então solicitava ao paciente a gentileza de comparecer com nova amostra. Com freqüência não o faziam sorrindo. Algum até desvirtuava minha atitude, julgando tratar-se de negligência profissional. E isto que, por vezes, ao agitar o tubo de ensaio para homogeneizar o material respingava gotículas em meu avental, e até no meu bigode que, por coincidência, também era de cor castanho!. Noutras oportunidades eu acabava 'desopilando' minha frustração com a esposa ou com o filho que no geral, nada tinham a ver com a responsabilidade profissional que era apanágio meu. Outras vezes, ante a 'pressão' do doente ou seu familiar, o médico solicitava uma série de exames e condicionava seu veredicto ao recebimento dos resultados dos exames. A minha responsabilidade então aumentava e as cobranças também. Foram vários anos sob esse clima de tensão. Para agravar o Instituto(I.N.A.M.P.S.) começou a pagar cada vez menos pelos procedimentos e sempre com abusivos atrasos. Por essa época meu filho já se determinava. Cursava a Escola Técnica, à noite, em Pelotas. Nas folgas dos afazeres escolares e do Laboratório, praticava violão para o qual revelou talento desde a primeira lição. Num belo dia informou-nos que não iria trabalhar mais conosco no Laboratório. Não queria a Área da Saúde. Abraçaria a de Comunicações. Começou a mexer com radio-difusão na emissora local e depois na cidade de Rio Grande. Intensificou seu interesse pelo violão e a música gauchesca. Teve algumas aulas de violão solo que o credenciaram a fazer um 'recital' com músicas clássicas incluindo F. Lizst, E. Nazareth e outros que a memória não resgata. Participava, também, em Festivais de Música Nativa, apoiado pelo CTG da Escola Técnica. Juntamente com os amigos e colegas Danúbio, Fabian e Pedro Umberto formaram o conjunto 'CIO DA TERRA' que participou de vários eventos nativistas de nossa micro-região. Paralelamente com essas ocupações, concluiu o curso técnico de Eletrônica e decidiu prestar serviço militar na Aeronáutica, em Santa Maria. Desfez-se o 'Cio da Terra'. Nas folgas da caserna visitava-nos e matávamos saudade de quando saíamos a passear nos feriados e fins-de-semana em que não trabalhávamos. Apreciava tomar banhos no 'passo novo', rio Piratini, em cujas margens, à sombra de frondosas e copadas guabirobeiras saboreávamos 'macanudos' churrascos. Algumas vezes explorávamos a zona rural do município, principalmente o Cerrito, que à época, ainda pertencia ao município de Pedro Osório. Foi numa dessas oportunidades que decidimos subir até o alto do morro 'Cerro Pelado', marco geográfico histórico do município e da região, onde estão instaladas antenas de TV e de onde tem-se uma bela visão panorâmica da planície e do aglomerado urbano Cerrito/Pedro Osório dividido em dois núcleos pelo rio Piratiní que ainda conservava, em parte de suas margens, restos de vegetação ciliar e alguns raros exemplares de mata nativa. Na descida do morro- por uma acanhada estradinha 'carreteira', cuidadosamente pra não sacrificar a suspensão do nosso feroz Passat 1.8, de cor 'azul-copa', modelo 1.984- um inusitado fato aconteceu: uma codorniz se assustou e alçou um vôo rasante indo se chocar com o fio da cerca próxima, lateral a 'carreteira'. Estacionei o 'feroz' e fui conferir. Encontrei o pássaro morto. Havia se degolado no fio de arame. Possivelmente se assustou com a presença do nosso Passat que tinha fama de 'venenoso'. Concluímos que se esquivou do carro mas descuidou da cerca. Admitamos que até os bichos têm uma hora boba. Proponho-me a associar esse pequeno incidente, não devido ao acaso, mas a fatalidade ante a Lei das Probabilidades. Quando moleque, ainda na 'campanha', assisti várias codornizes se enforcarem em laçadas de linha de pescar estrategicamente armadas, pelo irmão mestre-padeiro, em portinholas abertas a certos intervalos em pequenos 'cercados' tramados com 'caniços' de taquara e alecrim. Depois espalhava-se alguns grãos de cereais, inclusive próximo às laçadas; aguardava-se a 'penosinha' aproximar-se e, no momento exato em que ela pisava a laçada a enxotávamos. Ela tentava alçar vôo e o 'enforcamento' era mais comum do que se possa imaginar. Esse método nos rendeu várias 'passarinhadas', quase sempre que nossa Santa Mãe velha estava ausente com nossas irmãs. Coisas do 'mundinho' 'guri', microcosmo infantil que o 'macrocosmo' adulto, que não vivenciou, não podia entender nem aceitar naqueles dias cada vez mais distantes e já bastante esmaecidos na memória.
terça-feira, 13 de abril de 2010
PERSCRUTANDO O INSONDÁVEL
- Um critério prático capaz de nos auxiliar na apreciação da conduta humana, qualificando-a do ponto de vista rotulável como boa ou má, constitui fatalmente a identificação do efeito desse procedimento sobre o corpo, emoções e intelecto. Deste modo uma idéia impregnada de melhorias na higiene física, emocional e mental de um indivíduo seria interpretada como um pensamento potencialmente passível, na prática, de tornar-se mais abrangente no corpo da humanidade. Se fosse possível retrocedermos no tempo poderíamos surpreender nossos ancestrais nos dias em que descobriram o elemento fogo. Então, por certo, perceberíamos o desespero, a ânsia e a perplexidade marcando suas atitudes. O desespero com a conservação de uma entidade cuja utilidade sequer podiam imaginar mas que uma espécie de força muito poderosa ordenava fosse preservada a qualquer custo. Vestígios de consciência possivelmente já os animava naqueles tempos primevos. De alguma maneira dizia-lhes que aquele que controlasse o fogo exerceria influência sobre os demais. Muitos rudimentos de moradias devem ter-se transformado em cinzas. Queimaduras e outros acidentes terão ocorrido até conseguirem dominar o elemento ígneo. A ânsia, angustia pela incerteza das conseqüências de dominar aquele elemento dotado de tantas possibilidades de exploração e outros tantos riscos, ainda desconhecidos. Quem o dominasse por certo exerceria poderosa hegemonia sobre aquele que não revelasse tal habilidade. A perplexidade ou dúvida quanto a se valeria a pena e se deveriam continuar correndo os riscos decorrentes do exercício de tal controle. De maneira modesta mas com boa vontade, procurarei construir uma pálida imagem do que poderia transitar na mente rudimentar de nossos ancestrais em gradativa e lenta evolução, habitando em uma Crosta Terrestre ainda se consolidando. O cenário é resultado de fragmentos de memória de antigas aulas sobre Biofísica na UFSM(1966) cujo objetivo era nos auxiliar a entender a teoria da origem da vida sobre nosso planeta. Nos era lembrado, naqueles dias, que o futuro ser humano- mescla ainda amorfa contendo os elementos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre em constante turbilhão de arraste e rolamento, e sob enérgico e permanente açoite da radiação solar- nessas condições básicas e elementares não era capaz de conceber, mesmo que vagamente, uma idéia da configuração de seu futuro descendente e sucessor dalí a milhões de anos. Muito mais tarde essa massa humana( humus=terra) estruturada em ossos, pele e outros órgãos com tecidos diferenciados em células nervosas e uma mente rudimentar, seria contemplada com o sopro anímico espiritual. Desde então, gradativa, lenta e continuamente, esse homem primordial vem sendo excitado em sua espiritualidade . É uma tarefa árdua. Exige dedicação, perseverança, determinação e aplicação inquebrantável nos desígnios da Inteligência Universal. Relativamente ao sopro anímico espiritual, alguns estudiosos o associam à passagem bíblica do Gênesis em que é apresentado na alegoria da criação do homem a partir do barro, no qual, após modelado, o Eterno Criador lhe teria insuflado o Sopro Vital. Os estudiosos de Teosofia o identificam como Atma. Tal alegoria deve incitar nosso intelecto para que possamos haurir algo no estudo do intrincado Sopro Vital. Decerto nos auxiliará a identificar os indivíduos segundo a propensão íntima de cada um para praticar atos que nos agradam ou atos que consideramos perversos. Ou sejam os bons, ou os maus exemplares humanos, respectivamente. O comportamento humano afigura-se-nos um tema da maior relevância. Estando a exigir uma reflexão capaz de nos conduzir aos fatores que podem induzir nosso próximo a ter atitudes consideradas positivas, ou negativas, sendo estas por isso mesmo aceites ou rejeitadas por nos. Tenhamos em mente que somos todos produto do meio em que fomos formados e dele conservamos vestígios. Logo somos naturalmente condicionados a exibí-los de modo um tanto sutil, em relação aos componentes do cenário que nos deu origem, consistência e forma. A consciência no-la dotou a Inteligência Universal. Decerto ainda o faz, aos poucos e diferenciadamente, à medida que exibimos talento para sustentarmos esse sublime atributo. Recebemos educação, trabalhamos, divertimo-nos, amamos. Até mesmo guerreamos. Mas sempre na convivência com nossos semelhantes, como a desempenhar nossa original inclinação gregária. A razão nos oferece a medida de necessidade dessa coexistência se efetivar com os salutares elementos de uma parceria. Mas ela própria, deve ser suscetível de modificações visando satisfazer a crescente carência de harmonia entre os homens. Em especial os indivíduos que ante os reclames do consumismo acabam por se enredar no materialismo que embota a razão, a sensatez e a própria consciência. Estará assim armado o cenário onde até o Livre-arbítrio poderá ter sua manifestação desvirtuada. Através dessa espécie de crivo da consciência, passam necessariamente a maioria das decisões responsáveis por modelar as atitudes do ser humano civilizado. Portanto subsiste em cada um, e em todos nos, efetivamente, o poder de escolha. Sermos bons, ou maus. Termos atitudes agradáveis ou desagradáveis para com nosso parceiro de tão longa e atribulada aventura cósmica. Certamente que as duas opções são dispendiosas. Entretanto haveremos de ponderar que continuar investindo na primeira pode melhorar nossas chances de experimentarmos paz e harmonia interior. Claro que em muitas oportunidades as circunstâncias nos levam a questionar silenciosamente nosso âmago. Basta que alguma coisa não saia de acordo com o nosso projeto de vida e pronto!, já nos questionamos: onde errei?. Qual a causa de sofrermos determinados revezes se não cometemos mal contra ninguém. Às vezes até alegamos, distraidamente, não nos lembrarmos de ter acarretado prejuízos a outrem. O Kardecismo interpreta essa falta de lembrança como mais uma prova de que a Inteligência Universal nos acode sempre. Em muitas ocasiões Ela providencia para esquecermos temporariamente alguns crimes cometidos em outras vidas. Desta maneira não nos assoberba a mente na oportunidade em que nos esforçamos para cumprir outras etapas de nosso aperfeiçoamento. Poupa-nos, por exemplo, do remorso que sentiríamos por recordar ignominiosas atitudes em existências pretéritas. Em momento oportuno seremos chamados a resgatar nossas pendências. Às vezes demora a ponto de as 'esquecermos' . Mas como sentencia o ditado popular: "a Justiça Divina tarda mas não falha". Assim se examinarmos com responsabilidade, e à luz da Lei Natural de "Causa e Conseqüência", perceberemos que o 'fardo' pressionando nossa consciência, em determinadas ocasiões, pode nos parecer menos injusto e por isso mesmo compatível com nossas condições de o suportar. A alegação de não lembrarmos o ter cometido um ato delituoso não nos exime de culpa. Quer esse delito tenha sido cometido contra nosso próximo ou contra nos mesmos, pois falhamos ao descuidar dos deveres de nos esclarecer para podermos esclarecer nossos semelhantes. Estudiosos dignos de consideração asseveram que as três leis que regem os destinos da humanidade estão relacionadas com a Evolução, a Reencarnação e a Conseqüência. Sendo esta a reguladora das duas primeiras. A Inteligência Universal em sua Onipotência dotou os homens, mesmo os mais incultos, com certa dose de noção dessas Leis. Uma das mais difundidas popularmente, mas nem sempre compreendida, reza que "Quem semeia ventos colhe tempestades", é decorrente da Lei da Conseqüência. Ela pode explicar eventuais desarmonias e vicissitudes em nossas vidas. Além disso, convém consideremos que nossa eventual invigilância e até nosso menosprezo pela singela sentença podem se constituir em empecilhos para que percebamos o ensinamento que lhe é transcendente.
terça-feira, 30 de março de 2010
FIOS PRATEADOS
Andava eu lá pelas quarenta e duas primaveras e meu esqueleto já contabilizava oito intervenções cirúrgicas e respectivas anestesias gerais. Mais três viriam nos próximos dois decênios. Já me reportei a elas quando relatei o acidente de automóvel em que fui parcialmente feito em pedaços e que a seguir foram emendados e remendados, satisfatoriamente. A última cirurgia foi uma correção de plexo hemorroidário interno. Esta terá sido a pior de todas. A anestesia foi executada desde a cicatriz umbilical para baixo. Dessa maneira me foi possível perceber e acompanhar a perda progressiva da sensibilidade desde as extremidades dos dedos e pés, atingindo pernas, joelhos e coxas. Quando perdi a sensação dos meus atributos sexuais reclamei ao médico cirurgião. Por aquele preço eu preferia ficar com o desconforto causado pela hemorróida. O competente profissional tranquilizou-me, garantindo que tão logo passasse o efeito anestésico tudo voltaria ao normal. Ufa! Ainda bem! Nunca se sabe o que nos espera no futuro, mesmo já se contando seis décadas de peregrinação nesta existência. Alguns instantes após o procedimento médico, eu gradativamente comecei a recobrar a sensibilidade. E também a experimentar a sensação de felicidade por ainda continuar vivo. Nessa oportunidade fiz uma breve retrospectiva e não consegui recordar de já ter vivenciado semelhante sensação nos pós-operatórios anteriores. Deveria existir uma explicação para tais sensações. Longe de pretensões doutrinárias, mas sempre fiel às emanações da consciência, associei a impressão de harmonia haurida naquela oportunidade ao fato de eu andar incursionando na doutrina espírita. A leitura de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, estaria esboçando os primeiros sinais da consciência espiritual sendo despertada, num esqueleto cuja cabeça outrora garbosa por ostentar uma “melena ruana”, agora se inclinando, flagrantemente, ante o peso dos ainda remanescentes “fios de prata”, em franca decadência. Este fenômeno muito conhecido como calvície não é totalmente estranho em minha família. Recordo que minha mãe, quando em idade já avançada, também mostrava sinais dele, embora seja mais comum no sexo masculino. Várias teorias tentam explicar a queda dos cabelos: Hereditariedade, uso prolongado de alguns medicamentos, alimentação cárnea abusivamente gordurosa, uso de sabonetes ou xampus inadequados, águas excessivamente cloradas e/ou mineralizadas, fatores associados ao hormônio sexual testosterona, e perturbações no psiquismo do indivíduo. Especula-se que banhos com água muito quente e demorados, também podem facilitar a queda capilar. Por meu turno, faço o mea culpa, assumindo a responsabilidade por praticar uma parcela de todos esses fatores. E mais algum que nossa vã filosofia ainda não conseguiu comprovar ou catalogar com alguma segurança. Os cabelos certamente são muito importantes, do contrário a mãe-natureza não no-los teria legado como dote, já antes de nascermos. Mais importantes do que esses, contudo, devemos considerar os “fios de prata” que muitos eruditos espíritas conhecem como “Cordões de Prata”. Definidos como apêndices energéticos que interligam o corpo sutil, psicossoma, ou perispírito, ao corpo físico. Desta sucinta noção de anatomia invisível aos olhos da maioria, inclino-me, atrevidamente, a deduzir que, ao fim e cabo, qualquer fator que possa interferir na harmonia dos nobres “'cordões de prata” poderá ser responsável também pela calvície. Esta por sua vez não deve ser entendida como de todo abominável. Antes convém lhe analisemos os estigmas. Se por um lado descaracteriza nossa estampa crânio-facial, por outro nos pode remeter a uma profunda reflexão íntima capaz de influenciar em nossa razão e maneira de nos conduzir frente às vicissitudes da existência. Esta conclusão certamente que reflete também parte de minhas ciosas lucubrações. Jamais será de todo dispensável o joeirarmos essas asserções, pois não temos poder nem pretensão de reter a verdade, mas tão somente nos é dado perscrutar alguns sinais que podem apontar o caminho que conduz a ela. Assim se este enfoque conseguir atingir a consciência de algum leitor, estará contemplando-me com subsídios capazes de fazerem imaginar-me tenha sido inspirado pela Infinita Hierarquia Espiritual Universal que sutilmente nos impele a trabalhar para a elevação da condição humana.
segunda-feira, 15 de março de 2010
DIREITOS HUMANOS
Vem dos tempos de minha juventude as primícias de perspicácia a excitarem minha reflexão. Desde então só fez aumentar minha indignação face ao modo como são tratados os Direitos Humanos. Oportuno lembrarmos a consciência. Sempre ela, está por trás das atitudes humanas ao longo de nosso peregrinar neste orbe. Sendo a primeira faculdade que se nos manifesta já nos mais tenros anos de idade, deveria ser alvo de permanente, criterioso e rígido programa de ensino e treinamento inserido em nossa educação. Com tal processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança, e do humano em geral, teríamos melhor integração individual e social. Decorre daí não só o Direito mas o binômio Direito/Dever que passará a condicionar as atitudes do homem durante toda sua vida. Pleitear direitos pressupõe necessariamente reconhecer deveres. E vice-versa, pelo menos em uma sociedade estruturada com base na "justiça" que é a faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência( cfme.o "Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa"). Nesta repousam certamente os alicerces da estrutura social de um povo. Daí a importância desse atributo e a necessidade de seu constante aprimoramento e ajuste à luz das circunstâncias seculares que envolvem a humanidade. Uma nação é constituída por um agrupamento humano mais ou menos numeroso, cujos membros, fixados num território, comungam laços históricos, culturais, econômicos e lingüísticos. O conjunto de indivíduos que falam o mesmo idioma, têm os mesmos costumes e idênticos hábitos, afinidade de interesses e uma história e tradições comuns constitui um povo. Para que este progrida e avance em face das suas próprias necessidades e no contexto das demais nações foram criadas as leis. Estas constituem normas ou regras de direitos ditadas pela autoridade estatal e tornadas obrigatórias para manter a ordem e assegurar o desenvolvimento numa comunidade. Essas regras de direitos, teoricamente, têm o mesmo valor seja para a população em geral ou para os seus representantes legais. Não estão previstas regalias pois todos são tidos como "iguais perante a lei". Na prática, aos poucos tais dispositivos legais acabam sofrendo emendas capazes de lhes modificar a redação e corromper-lhe o caráter original. Entre nos se tornou costume a introdução de emendas nas leis para restringir-lhes o alcance ou cerciar-lhes a eficiência. Os legisladores através das entrelinhas conseguem muitas vezes lograr vantagens legais pessoais, e para seus correligionários, que maioria das vezes, são da família. A corrupção é cosmopolita mas com impunidade de prevalência nos Países classificados como subdesenvolvidos. Infelizmente não estamos vacinados. Afigura-se-nos imperioso adquiramos consciência e fiquemos atentos para depararmos com situações que revelam adulteração em relação àquelas ética e moralmente aceites. Às vezes os sinais de corrupção se mostram de tal modo disfarçados que nos induzem a dúvidas acerca de nossa consciência. Entretanto se estivermos atentos diminuem nossas chances de cometer injustiças com relação a muitas circunstâncias do nosso turbilhonado quotidiano. Com freqüência convivemos com a adulteração das coisas e situações quase sem o perceber. As taxas de cobrança pagas nas contas telefônica, água e esgoto, energia elétrica, plano de saúde complementar, ipva, iptu e outras tantas contas. As taxas de expediente das contas públicas de estatais. A moeda de troco que o garagista argumenta não dispor. O pequeno malabarista dos limões que se precipita na frente de nosso carro mal cambiou o sinal e que fica xingando no trânsito quando o valor da moeda é muito baixo. A má vontade de muitos funcionários públicos, e mesmo de empresas privadas, em oferecer informações aos idosos e despreparados para conviver com a moderna tecnologia da mídia. Aliás esta é uma das grandes responsáveis pelo recrudescimento dos assaltos e roubos. Não sou contra a modernização se racional. Informatizaram a sociedade com a extinção maciça de postos de trabalho. Muitos desempregados que não conseguiram nova colocação formal partiram para o 'tudo ou nada'. Bem treinados, preparados e adestrados nos antigos empregos; encorajados pelas brandas e confusas leis que garantem impunidades ou penas leves, foram estruturar o crime organizado que rouba milhões nas empresas públicas, privadas e população em geral. Raramente algum desses criminosos é trancafiado devido o poder de subornar os policiais. Quando estes são honestos, com freqüência acabam sendo desmoralizados e ainda ficam 'marcados', graças às brechas legais que mandam soltar os meliantes eventualmente presos. E as penitenciárias sem um mínimo de condição para reeducar e reconduzir o criminoso ao digno convívio na sociedade por ele agredida. Esta que é obrigada a receber aquele, agora, com novos vícios incorporados no convívio com outros reclusos nas superlotadas cadeias cujas condições desumanas são mostradas diária e repetitivamente pela tevê. Neste ponto reside minha maior inquietude. Como posso entender e aceitar o pleito de quem foi condenado por cometer crime contra cidadãos ordeiros, inofensivos trabalhadores, geradores de riquezas e tributos que vão sustentar a máquina pública com todos os seus servidores cheios de favores e regalias. Já acudiu a iniciativa dessas respeitáveis entidades que lidam com estatísticas investigar, com seriedade, para apurar o percentual de vítimas da iniciativa privada comparada com as do poder público. Desconheço tal enquete. Se ela existe, qual motivo para seus resultados não serem divulgados com maior eficiência?. Ou não haverá interesse nem da mídia, num assunto de tamanha importância para o desprotegido trabalhador que contribui com mais de um terço de seu trabalho com impostos cuja aplicação lhe é vedado fiscalizar. Ou a indiferença decorre do fato de ser sempre o contribuinte da iniciativa privada que compulsoriamente sustenta tudo. Já me reportei ao nosso sistema judiciário. Por sinal muito bem remunerado, se comparado com a iniciativa privada que o sustenta, bem como aos demais Poderes Legislativo e Executivo cujas lisuras são motivos de questionamentos na sociedade. Onde estão os direitos dos verdadeiros trabalhadores brasileiros que carregam esse 'Gigante', suposta e pretenciosamente, rumo ao 'primeiro mundo'. Conhecemos os dirigentes políticos e sabemos quais são seus métodos?. Certamente que não estão de acordo com os verdadeiros Direitos Humanos. Cumpre-nos questionar a quem as autoridades e suas leis querem realmente proteger?: o cidadão que está desarmado, e após uma árdua jornada de trabalho- para gerar quarenta e tantos por cento de impostos- se consegue chegar em sua casa tem que suportar pesadas grades de ferro e outros aparatos de segurança na tentativa de apenas dificultar a ação dos bandidos. Ou a proteção do bandido é mais vantajosa para o sistema?. Haja vista nas depredações impunes de presídios, delegacias e viaturas policiais e outros bens custeados com recursos oriundos dos impostos escorchantes que o trabalhador tem o dever de pagar mas não lhe é conferido o direito de usufruir dos benefícios. Temos ainda a questão dos supostos 'sem terra'. Invadem propriedades reconhecidamente produtivas. Destroem prédios, plantações, avariam máquinas e bloqueiam o trânsito em rodovias pedagiadas. Tudo à luz do dia e sem o mínimo respeito pelas leis e muito menos pelos direitos que elas deveriam conferir.Todos esses crimes são cometidos ao arrepio das leis e com a conivência das autoridades, sempre com o suporte dos recursos gerados pelo suor e sangue dos trabalhadores, na forma de impostos.Até quando suportaremos tal inversão de valores?.
quinta-feira, 11 de março de 2010
RESPOSTA CONVENIENTE!
Tenho abordado vários aspectos do comportamento humano, ao longo do conteúdo de minhas memórias. Em realidade lancei como que um discreto 'flash' sobre algum fato que de certo modo terá contribuído para 'formatar' uma imagem um tanto vaga de minha personalidade ao longo destas décadas de existência. Conservo a nítida noção de quão rudimentares são essas narrativas. Na absoluta maioria das oportunidades cometi o equívoco de apenas mencionar a experiência sem eviscerá-la convenientemete. Um pouco movido pela esperança de que o virtual leitor assumisse meu lugar e assim justificaria meu lacônico 'passeio' no cenário relatado. Todavia a maior parcela de limitação reside mesmo na insuficiente habilidade com o pendor literário. Relatei com traços lúdicos os primórdios da infância até onde imagino ter conseguido fazer minha memória recuar. A adolescência foi abordada de modo um tanto prolixo até. Leve-se em consideração a necessidade que os jovens sentem em ostentar a personalidade que a seguir agregará os dotes que a sociedade irá acolher como virtude ou rejeitar como vício. E aí vem a maturidade em que somos cobrados energicamente, por aquela que, na maioria das vezes, não move uma pena para facilitar nosso aprimoramento pessoal para melhor e mais convenientemente sermos nela inseridos. Não mais que de repente um certo dia nossa consciência é abalroada com o duro questionamento: " que fizeste com tua juventude de dourados dias?". Oh meu caro leitor!. Que sarcástica pergunta assalta a incansável consciência de um batalhador que jamais desviou o foco da existência laboriosa e perseverante. Não qualifiquei a referida de honesta. Considero este atributo inerente ao ser humano enquanto criatura oriunda de tão sublime estirpe. Nascemos inocentes e honestos. As circunstâncias nos podem fazer desviar dessas virtudes. Temos a razão e o livre-arbítrio para orientar nossa consciência e modelar nossas vontade e atitudes no sentido de corrigirmos as desairosas disposições que nos assaltam em tais circunstâncias. Infelizmente sou um poço de vícios existindo num vasto deserto em que por vezes se pode garimpar alguma virtude. Além do mais vejo fundamento no Kardecismo quando interpreta nosso desempenho vital como decorrente da ordem cíclica reencarnacionista. Nós ocidentais costumamos olhar com piedade para as pessoas de países subdesenvolvidos. Dizemos que eles têm um estilo de vida primitivo enquanto nos auto rotulamos de avançados. Mas afinal quem somos?; para que direção estamos indo?. Estas questões se me impõem quando consigo me fixar no fato de que realmente 'muitos são os chamados mas poucos os escolhidos'. Alguns teólogos afirmam acreditar que a humanidade vai se tornar cada vez mais sofisticada até que, eventualmente, poderemos nos fundir em igualdade com Deus. Certamente que todos conhecemos pessoas presunçosas que acham já terem alcançado esse estágio. Não posso esquivar-me aos reclames da razão. Entendo existirem muitos mistérios em nosso mundo. Mistério e Milagre não encontram explicações científicas plausíveis, à luz dos modestos conhecimentos transcendentais de que penso estar animado. É bem conhecida a sentença Cristã que afirma 'sermos Deuses'. Humilde e despretenciosamente prefiro reconhecer-me como animado da centelha 'de natureza divina', pelo aspecto espiritual. Encontro certo obstáculo no suposto politeismo com que não me afino. A ORDEM UNIVERSAL reinante que o ser humano ainda não conseguiu replicar em laboratório, empresta-me a firme convicção na unicidade do Espírito Universal. Se fossem vários não poderia existir essa harmonia e perfeição no Universo. Não podemos esquecer que o homem, com freqüência, costuma corromper e subverter a ordem das coisas com o fito único de poder jactar-se de ser o 'inventor' de algo.
quarta-feira, 3 de março de 2010
OUTROS TEMPOS, OUTROS PARADIGMAS!
A algumas páginas atrás reportei-me ligeiramente às visitas que minha pequena família eventualmente realizava a cidadezinha Uruguaia de Rio Branco, vizinha da nossa heróica Jaguarão. Mencionei a alegria com que acolhíamos as coisas singelas, quase bucólicas, do local e da região como um todo. A cordialidade com que os hermanos nos recebiam naqueles dias, e ainda hoje. Não fosse a relativa dificuldade do idioma e não seria exagero qualificar de 'contagiante' a disposição com que nossos vizinhos nos tratam hoje. Percebo que nos dois lados da fronteira Brasil/Uruguay existe como que um certo esforço inconsciente no sentido de mútua aproximação e fraterno convívio. Do alto de meio século de convivência fronteiriça desde São Borja, no médio Rio Uruguai até os antigos 'Campos Neutrais' no extremo sul de nosso Estado, atrevo-me a afirmar que nem sempre foi assim. Especialmente no que respeita ao relacionamento com os 'paysanos' das províncias Argentinas separadas de nosso Estado pelo lendário rio Uruguai. Por oportuno é importante que lembremos de São Borja como a mais antiga civilização rio-grandense, tendo sido fundada em 1682 pelo jesuíta espanhol padre Roque Gonzales, com o nome original de São Francisco de Borja. Ao passo que a fundação de Rio Grande, obra do português explorador e militar Brigadeiro José da Silva Paes, remonta a 19 de fevereiro de 1737. Estas, portanto, são as cidades mais antigas de nosso Estado, fundadas respectivamente por Espanhóis e Portugueses. Depois de vários conflitos armados, sucedidos de negociações e tratados as duas cidades passaram em definitivo ao domínio Luso e, finalmente ao nosso Estado e Brasil. Possível significado para o nome 'URUGUAY'(uru=pássaro,gua=lugar e y=água)seria "Rio dos pássaros". Existem outras versões mas preferi anotar esta, por ser a mais difundida. Em minhas primeiras férias, quando eram de apenas vinte dias, em 1959 com dezesseis anos e as 'puas' querendo surgir acima dos calcanhares do então 'frangote, apesar dos fundados protestos de minha mãe, decidi conhecer Santana do Livramento e, obviamente, Rivera, no Uruguai. Justamente na época do Carnaval. Este não era muito festejado ainda naquela época e região. Poucas rádios e a imagem de TV ainda ausente na maioria das regiões do RS, deixavam a cobertura do evento para as revistas 'O CRUZEIRO' e 'MANCHETE' que não chegavam a atingir a performance da mídia hodierna. Também eu era comedido pra festas. Além do mais eu estava interessado na compra de algumas utilidades pessoais importadas. Viajei num dos antigos trens conhecido como 'Maria-Fumaça" pois era tracionado por máquina à vapor cuja caldeira era aquecida com energia da combustão do "carvão-de-pedra", um carvão mineral impregnado de óleo que se encontra em abundância no solo e subsolo de nosso Estado. Ao longo dos milênios teria se fossilizado. Muito calorífico mas acabava por deixar no ar uma fuligem carregada de partículas de carvão que deixava os passageiros e suas roupas pretos e irreconhecíveis. Mais tarde, já na faculdade Farmácia, tomaria consciência que a tal fuligem era responsável por muitas doenças das vias respiratórias, ou no mínimo as agravaria. É o caso das pneumoconiose e tuberculose. Fato é que na oportunidade saí de Cacequi às 13:30 e cheguei em Santana do Livramento lá pelas 18:00 horas. Um táxi levou-me, da Estação ferroviária, para o tradicional Hotel do Comércio que oferecia pensão completa. Após o jantar dei uma rápida explorada nos arredores. Afinal era a maior cidade que eu visitaria até então. Santa Maria viria a seguir. Na manhã seguinte, após o café, me fui conhecer a famosa 'Calle Sarandí' e seu movimentado comércio na buliçosa Rivera, uma das mais importantes cidades uruguaias, ainda hoje. Observei várias lojas com vitrines amplas repletas de artigos com nomes e expressões em inglês que eu mal começava a entender. Finalmente me decidi a entrar na Loja Americana. Comprei uma garrafa térmica, um relógio de pulso marca 'Robert Carter' com pulseira rígida e uma jaqueta em nylon, cor azul-claro, com pele de cordeiro na gola e fecho zíper. Fazia grande sucesso com a dita cuja, que além de bonita era muito quentinha. Usei-a por muitos anos. Por fim a substitui por um casacão 'pêlo-de-camelo' marca 'Balmoral', comprado na mesma loja, anos depois quando eu já era vendedor-viajante. O excelente relógio Robert Carter seria destruído no acidente de automóvel, cerca de dez anos depois. A garrafa térmica teve existência efêmera. Costumava deixá-la com café quente pra eu tomar pela manhã antes de sair para a farmácia. Uma noite cheguei em casa e minha saudosa mãe confessou, sem jeito, tê-la quebrado, por acidente, claro. Fiquei furioso com ela. Mas que fazer?. Voltaria a sacrificar mais uns minutos do sono matinal, tão caro aos jovens adolescentes, para preparar o café que naqueles dias ainda era passado no velho filtro de saco de algodão. Anos mais tarde compraria outra na mesma loja. No momento de efetuar o pagamento fui surpreendido com a pergunta: "oro" ou "papel". Não entendi nada!. Com alguma dificuldade o funcionário conseguiu me fazer entender que "oro" era a moeda nacional uruguaia e "papel" era o dinheiro brasileiro. Humildemente respondi que era em 'papel'. Paguei e não bufei!. Muitos anos mais tarde, já experiente, aprendi a trocar nossa moeda por 'pesos', nas casas de câmbio. Assim pagava-se sempre menos. Foi então que concluí ter sido vítima da 'marreta' cambial. Durante os longos anos em que viajei na região da fronteira, sempre me defrontei com a arrogante, presunçosa e antipática pergunta. Invariavelmente, acontecia em lojas, restaurantes e onde quer que se fizesse algum pagamento. Felizmente o 'herói da trama'-o tempo- uma vez mais se encarregou da correção dos fatos e hoje é bem diferente. Nossa moeda é quase tão bem aceita e desejada quanto o Dolar. Aceitam muitos cartões de crédito e raramente questionam se o pagamento será em "oro" ou em "papel". E a entonação da pergunta não é acintosa como em outros tempos. Isto no que diz respeito ao relacionamento comercial com o Uruguai. Outro era o relacionamento com a Argentina, na mesma época, posto quase insuportável. A tal ponto que raras vezes atravessei a fronteira para ir comprar alguma coisa nas cidades argentinas fronteiriças com o Brasil. Há que se ponderar que em todos esses anos, principalmente da década de 60 em diante, muita coisa mudou contribuindo para melhorar a imagem de nosso País e a auto-estima dos brasileiros. A par de um clima de desconfiança política estava sempre nosso atrasado modelo cultural, comercial, industrial e tecnológico. A própria agricultura e pecuária, atividades básicas que alavancam os demais setores econômicos de uma nação, andavam sempre a reboque dos Países Platinos e do Chile. Carnes e derivados, artigos de lã, queijos, cervejas, vinhos, azeite de oliva, farinha de trigo e seus produtos manufaturados- macarrão e galletas- atravessavam a fronteira em transações tanto oficiais quanto clandestinas. O advento do Mercosul terá contribuído para equacionar as relações nesse campo. Na área da cultura hoje é comum encontrarmos profissionais que se graduaram ou fizeram cursos de especialização em Montevidéu, Buenos Aires, La Plata, Córdova e outros importantes Centros Universitários platinos. Até 1960 era comum um sul-rio-grandense do interior tomar o trem ou um avião e demandar Montevidéu ou Buenos Aires para tratar sua saúde ou a de seu familiar. Era mais fácil, seguro e econômico do que ir a nossa Porto Alegre, único centro dotado de infra-estrutura satisfatória. A construção de rodovias pavimentadas estaduais e federais aliado ao surgimento de Universidades em Santa Maria, Pelotas, Caxias do Sul e outras mais recentes, veio oferecer alternativas e soluções viáveis. Quem vivia em centros ferroviários, com freqüência, deparava com composições férroviárias repletas de 'Guano'(fezes e excretas de pássaros e morcegos) procedentes dos países andinos, principalmente o Chile, via Uruguaiana-Cacequi, com destino às fabricas de adubos em Rio Grande. A muitos anos não vejo mais esses trens. Não acompanhei a evolução da indústria de fertilizantes e defensivos agrícola. Creio que nossos agricultores estão hoje melhores preparados e competitivos também. A monocultura vem sendo repensada em favor da rotação de culturas ou até das culturas casadas. O advento do plantio direto afigura-se como um avanço tecnológico, com a menor degradação do solo e custos de produção mais baixos. As exposições agropecuárias a cada ano mais incrementadas e concorridas, proporcionam intercâmbio entre os empresários nacionais e estrangeiros que nesses eventos trocam experiências. No esporte, particularmente no futebol, em que raramente superávamos nossos adversários Platinos, também avançamos. Hoje, com certa freqüência, os clubes brasileiros conseguem levar vantagem sobre os tradicionais 'papa-titulos' do cone sul. Enfim nosso País....'Gigante pela própria natureza....Deitado eternamente em berço esplêndido', parece começar a despertar verdadeiramente da letargia que o acometeu por mais de quatro séculos e meio. Otimismo e pessimismo à parte. O realismo se impõe na mudança do modelo pelo qual devem necessariamente se reciclar todos os setores e segmentos da Sociedade Brasileira. A começar pela classe política cuja consciência deve se modificar ascendendo a paradigmas(do grego:paradigmas, modelo) capazes de elevar a imagem de nosso País e melhorar as condições sócio-econômicas de quem nele vive e trabalha dignamente. Porém tal somente será possível quando a consciência se manifestar na vida de cada um e de todos os brasileiros. Principalmente nas mentes mais esclarecidas às quais compete justamente orientar as menos esclarecidas. A Lei Maior reza: o primeiro dever de um homem é instruir-se, e o segundo dever desse homem é instruir seu semelhante. Desta maneira estaremos constantemente melhorando nosso paradigma. Ouso conclamar todos os virtuais leitores que me honram com sua atenção para que doravante sejam o mais meticulosos possíveis na instrução e seleção daquele ou daqueles a quem irão confiar a sua Procuração Representativa, o Voto. Para que, muito em breve, não venhamos a 'chorar sobre o leite derramado'.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
AH OS TRÍDUOS DE MOMO DOS ANOS DOURADOS !
Eis que decidi fazer uma breve abordagem sobre um dos mais antigos acontecimentos envolvendo a raça humana e nossa indisfarçável vocação gregária ao longo desta multimilenar aventura no orbe terrestre. Não estou comprometido com outra entidade além de meu livre-arbítrio. Destarte a virtual renúncia por parte do eventual e atento leitor às minhas abordagens, certamente não me fará desapontado, nem se constituirá em obstáculo para que exponha um tanto do que minha consciência percebe e a razão sanciona. Uma realidade de ontem e outra de hoje. Ontem adolescente, estudante e trabalhador como auxiliar de Boticário. Lá pelos anos 60/61 na Cacequi da ainda buliçosa Estação Ferroviária, e dos dourados dias de minha adolescência. Duas dúzias de ruas, umas cortando outras lembrando um tabuleiro de xadrez;algumas centrais pavimentadas com pedras de basalto, irregulares. As demais alternando-se em areia e terra vermelha. Casario de alvenaria simples, em tijolos e telhas de barro comuns e pintura pouco conservada. Quando pintadas. No centro da cidade raras moradias diferenciadas. Na periferia, onde eu morava, a maioria das casas era simples, de tábuas e cobertura das mesmas telhas, às vezes folhas de flandres. Aqui o carnaval era um acontecimento social. Blocos carnavalescos e foliões previamente selecionados e organizados desfilavam na passarela armada no centro da cidade, em frente ao tradicional clube Comercial. Terminado o desfile os foliões se dirigiam aos seus clubes de origem, para receberem a Rainha e sua corte e, assim dar início aos bailes de Carnaval. Outro era o Clube Ferroviário Apolo, da família ferroviária. Tinha ainda o Club Recreativo Sete de Setembro, pertencente aos 'pretos', e cuja entrada só era permitida a quem fosse mui bem recomendado. O CTG "General Osório" não promovia carnaval. Os clubes eram muito bem cuidados e administrados pela 'fina flor' da sociedade local. Um folião visitante ou desconhecido que se aventurasse com máscara ou dominó era 'democraticamente' convidado a comparecer perante o Diretor Social para ser identificado e ter assegurada sua participação festiva. Os salões desses clubes, feérica e alusivamente ornamentados eram prévia e literalmente lotados por seus sócios efetivos, ou convidados, que ocupavam seus lugares em mesas, muitas delas cativas. Os blocos de foliões, incluindo alguns já bem 'experimentados' na arte de viver e se divertir, adentravam os salões sob copiosa chuva dos 'lança-perfumes', 'confetis' e 'serpentinas', os aplausos dos demais convivas festeiros e ensurdecedor foguetório. O Conjunto 'Regional do Gessi' acordava os foliões que a seguir eram febrilmente exortados pelas canções dos consagrados Carlos Galhardo, Lupicínio Rodrigues, Zé Keti, Dircinha e Linda Batista, Dalva de Oliveira, Jamelão , Noite Ilustrada e outros 'rouxinóis', até às seis da manhã. Algumas vezes eu saía do Clube Comercial direto pra farmácia. Passava água fria na cara e já estava no batente. Ao anoitecer os jovens foliões costumavam promover 'assaltos' às residências abastadas onde geralmente eram recepcionados com 'geladeiras convenientemente abastecidas' e algumas foliãs já com olhar de 'querendonas'. Não era raro mais tarde ver um par jovem 'misturado'- formado por um rapaz de 'um bloco azul' pescoceando uma jovem 'odalisca' vestida em 'plumas e paetês' vermelhos. Muitas vezes eram jovens parentes ou da família de altos funcionários ferroviários ou de fazendeiros. Estudavam em Santa Maria, Pelotas ou Porto Alegre mas brincavam o carnaval na acolhedora Cacequi. Meio século não conseguiu apagar a imagem do querido par de companheiros JOSÉ HAMILTON ACOSTA/JUSSARA MARIA GAUTO que, mercê suas simpatias, se tornou o centro das atenções em nossa "TURMA DO BARULHO", que naquele carnaval seria eleito o 'bloco mais popular'. O amigo José Hamiltom, é o mesmo que, alguns anos depois, ajudaria seus colegas médicos a me remendarem e salvarem a vida em Santa Maria, quando me rebentei num acidente automobilístico. Aliás este fato já relatei antes. A Jussara, é hoje consagrada advogada, militando na política onde já foi vereadora no Legislativo de Porto Alegre. Saudosismo à parte, vale lembrar que não conhecíamos 'drogas', exceto o 'lança-perfumes' com que os mais 'afoitos' costumavam embeber seus lenços, numa rápida fugida ao 'WC'. Outros se 'encharcavam' de tal modo que depois não aguentavam a 'Cuba Libre'( mistura de coca cola, rum, rodela de limão e gelo)que era o 'combustível' dos rapazes. Mais tarde, quando Fidel Castro assumiu o controle de Cuba, o rum foi substituído por cachaça e o 'combustível' passou a ser chamado "samba". As moças ainda bebiam refrigerantes, na maioria das vezes pagos pelos rapazes!. Os mais 'treinados', ou da 'velha guarda', geralmente bebiam Whisky com gelo, soda tônica ou mineral. Anos depois o uso de lança perfumes foi proscrito e a venda proibida. Aí a moçada se achou no direito de enveredar para as Anfetaminas e o LSD que já eram sucesso no exterior e divulgados na mídia. Canabis sativa, Cola de sapateiro, e outras drogas malditas viriam a seguir infernizar a vida dos jovens menos avisados que, hoje não precisam mais de pretextos para se intoxicar mesmo fora do Carnaval. A meu ver o Festival de WOODSTOK, em agosto de 1969, se constituiu num divisor de águas nos hábitos que medrariam na sociedade brasileira dali em diante. Ah os Velhos Carnavais, que saudosos tempos que não voltam mais!. Rimou!, que legal!. E aos domingos, então!, assistir a missa das dez horas era sagrado. Na igreja mesmo já éramos avisados que haveria 'quermesse' na Escola Normal Regional 'NOTRE DAME', à tarde. Aí a rapaziada se concentrava em frente ao 'barzinho' que não vendia nada 'espirituoso'. Além das pescarias ocorriam dedicatórias musicais e as arbitrárias 'prisões', em que o rapaz tinha que enfiar a mão no bolso pra libertar sua normalista 'protegida'. Não faltavam os 'pombos-correios' com mensagens 'chorosas' entregues mediante determinada 'taxa' desembolsada pela 'vítima' previamente 'investigada'. Ao anoitecer, as 'frerinhas' agradeciam a presença e a rapaziada se retirava com os jovens corações adocicados, tentando recordar os grandes sucessos do Anísio Silva. A maior inspiração vinha mesmo com "Minha Linda Normalista" do imortal Nelson Gonçalves. Era o lenitivo mais eficaz para muitos adolescentes daqueles belos anos. Altemar Dutra, Cely e Tony Campelo, Sérgio Murilo e Marcio Greik também inspiraram muitos jovens daquela época. Provocaram 'borracheiras' também.
No domingo de carnaval programava-se 'pic-nic' na praia do rio Cacequi. Outras vezes, no forte do verão, explorava-se a mata ciliar nativa desde a confluência do rio Cacequi com o Santa Maria até o ponto onde este rio se lança no Ibicui, bem depois da bela 'praia dos dourados', à altura da ponte do Entroncamento. Chegávamos aí em excursões organizadas pelos funcionários administradores da Estação Ferroviária local. Outra alternativa para escapar das escaldantes areias cacequienses era buscar as praias do rio ibicui, próximas do outrora porto fluvial, onde até aqueles dias existia o 'esqueleto' de um antigo vapor que fizera, em outros tempos, a linha regular entre Cacequi e Uruguaiana. A chegada dos trens fez desativar o transporte fluvial. Terminadas as férias de verão nos limitávamos aos passatempos triviais. Bingos dançantes no Comercial, ou Jogos de bolão e ping-pong. Vez que outra uma famosa orquestra procedente da região do Rio da Prata chegava de trem, vindo de Uruguaiana ou de Livramento, e animava um baile de 'arromba' que jamais seria esquecido. No próximo trem seguia para Santa Maria e outras partes de nosso Estado e País. Donato Racciatti, Cassino de Sevilha, Pedro Borgo, Suspiro de Espanha, e outros ainda são recordados. Considerado 'bom menino', estudioso, trabalhador e empregado, eu despertava o interesse entre algumas moçoilas. Quando quis mostrar serviço já estava na hora e fui convocado para o serviço militar. Ao entardecer de algum domingo ou feriado, saíamos a caminhar, conversando ou cantarolando, pela campina florida próxima e ao longo da via férrea. Grupos de quatro ou cinco moçoilas, irmãs e primas entre si, e eu de "bem-dito-o fruto", com a cabeça repleta de caraminholas. Nunca fui chegado no futebol. Brasil, Humaitá, Aimoré, Gremio da Cooperativa Ferroviária e Independente eram os times de futebol que disputavam o campeonato citadino, na Cacequi daqueles dias. Hoje, decorrido um pouco mais do que meio século e já me encontro enredado nas circunstâncias que me permitem examinar muitas das conseqüências do maior folguedo popular do mundo. O Carnaval brasileiro, pretendido por muitos como 'o maior espetáculo da face da Terra'. É claro que não tenho a mesma motivação dos dezoito anos para avaliar esse festejo. Minha consciência não melhorou nem piorou. Está amadurecida apenas. Às luzes do modernismo contemporâneo nossa percepção haverá de adquirir outras e mais compatíveis nuances. Assim é que a ilusão, natural e necessariamente, terá se esvaecido graças a uma gradativa conscientização espiritual. Até os sessenta e cinco anos trabalhei em média doze horas diárias; às vezes mais. Aos domingos e feriados a jornada era reduzida para oito ou dez horas. Raras vezes tirei férias, que à época ainda eram de vinte dias. Nos quase vinte anos em que realizei análises clínicas, por inúmeras vezes fui solicitado a atender urgências noturnas nos fins-de-semana e feriados, mesmo pelos convênios. Em determinadas ocasiões, sob uma carga tal de tensão psicológica, decidia no meio da noite, ir tirar uma 'soneca' em casa. Por vezes o sono não se apresentava e o remédio era retornar ao trabalho. Não podia deixar acumular serviço que poderia comprometer a inesperada demanda por resgate à saúde cuja ameaça não escolhe hora para bater em nossa porta. A prudência até nos alerta, invariavelmente creio, mas por invigilância nos tornamos vítimas. O tempo se deixou perceber e com ele os inevitáveis frutos das semeaduras da juventude. A idade chegou, e com ela inexoravelmente o declínio da saúde. A aposentadoria por tempo de serviço e a posterior migração para a farmácia comunitária se me afigurou como solução. O quotidiano mostrar-me-ia a dimensão do equívoco. Quando se exerce uma profissão voltada diretamente para a saúde pública jamais estamos livres de ser exigidos em nossos préstimos. A consciência profissional deve estar sempre vigilante. Mesmo num baile de carnaval, ou dois!; ou os três dias. Isto se o vivente tiver fôlego, como quando eu era jovem. Sou suspeito. Participei de poucos carnavais. Maioria quando solteiro. Raros depois de casado. Jamais em detrimento de minha performance profissional. Não fui folião notável. Sempre trabalhei na segunda e quarta-feiras. E nos dias subseqüentes. Tendo sempre ao meu lado minha esposa como fiel auxiliar e escudeira. Assim é que eu podia observar muitas das conseqüências dos Folguedos de Momo. Alguns pacientes com exames agendados para os dias seguintes ao término do carnaval raramente compareciam. Não eram os mais necessitados, certamente. Aqueles costumavam remarcar para outra data. A nível de Previdência esta atitude sobrecarrega o serviço em detrimento daqueles que não se divertiram e que na maioria dos casos são os reais necessitados. Uma questão de consciência individual que por inúmeras vezes acaba por comprometer a eficiência dos serviços de saúde pública, principalmente. Se consultarmos dados estatísticos confiáveis vamos constatar a exacerbação de muitos casos de declínio de saúde pública decorrente dos exageros cometidos nesses prolongados dias de permissivismos de toda ordem. Oficialmente talvez não nos cheguem os números, nos primeiros dias. Posteriormente, o tempo, "herói da trama", se encarrega de mostrar ao observador diligente a imagem corrigida da realidade. Os exageros são cometidos por todas as camadas sociais. A classe média é a mais comedida e também sacrificada. É nela que estão situados os grandes contribuintes de impostos. São os mesmos que na maioria das vezes educam seus filhos eletiva e seletivamente em escolas qualificadas cujos ex-alunos conseguem os melhores empregos e cargos de liderança. São também os mais visados pelos criminosos por deterem melhores referenciais. É por isso que essa faixa social está gradativamente se adelgaçando, e seus ex-membros migrando, vão 'engordar' classes menos aquinhoadas que assim passam a onerar cada vez mais fortemente os cofres públicos para os quais os remanescentes - mormente os da iniciativa privada formal- são compulsoriamente chamados a contribuir cada vez mais pesado. Pois os da informal, na qual se encontram muitos marginais, assaltantes, narcotraficantes, e a maioria corrupta dos que integram a classe política deste país, raramente são enquadrados e punidos em virtude de dispositivos legais elaborados pelos próprios. Nunca é demais recordar que até a alguns anos passados, era cultura em nosso País os governantes aproveitarem-se dos períodos em que a população estava entregue aos festejos e recreações para, 'discreta' e 'democraticamente', pôr em prática algum projeto ou decretar alguma medida claramente lesiva aos interesses da população ativa da iniciativa privada. Pois é esta que paga o pato, ao fim e cabo. Afigura-se-me imperioso reconhecer a possibilidade de surgimento de inúmeros postos geradores de trabalho e renda para os humildes da informalidade, durante esses folguedos de Momo. Mas há que manter-se também a máxima vigilância. Esta deve estar focada na qualidade e quantidade das mercadorias e serviços destinados ao grande público consumidor nessas ocasiões festivas. E também no fato de que muitos pequenos vendedores são na realidade representantes de grandes empresários empenhados em obter lucros fáceis e isentos de tributação compatível. Quem vive nas regiões de grande adensamento populacional e se dispor ao trabalho de conferir tais fatos saberá a que me estou referindo. Longe de aspirar a pecha de intolerante, cumpre-me asseverar que tenho sempre em mente a máxima "a resposta é sempre individual". A todo o instante a mídia nos dá conta da trajetória que nosso País vem descrevendo rumo ao grupo de elite, integrado por Nações do primeiro mundo. Temos que nos reportar ao fato de que nesse grupo especial encontram-se Povos que num espaço de tempo relativamente curto transformaram limões em salutar limonada. A Alemanha atual, reunificada depois de ser arrazada, se constitui num dos exemplos mais edificantes. Muito antes mesmo de ser dividida pelo falimentar regime comunista, viveu épocas de intensas agruras. Grande parte de seu povo veio dar com os costados em nosso Brasil há mais de cem anos. E essa população, em sua maioria, aqui desembarcou cadastrada como "colonos". Hoje constituem as cidades listadas entre as de mais alto Índice de Desenvolvimento Humano da Região Sul, e de nosso País como um todo. Outro exemplo de semelhante magnitude são as regiões identificadas como de colonização Italiana cujos Imigrantes integram as regiões em que estão as Comunidades mais ricas de nossos Estado e Pátria. Em menores contigentes vieram outros povos como Russos, Holandeses, Japoneses, Chineses, Judeus, Portugueses, Espanhóis e até Nórdicos. Todos atraídos em comum, pelo solo fértil e abundante. As regiões ou comunidades onde se estabeleceram progrediram às custas de muito trabalho e tenacidade. Hoje quando assistimos desfiles carnavalescos podemos facilmente identificar os grandes centros geradores de diversão e laser e os grandes pólos geradores de divisas às custas de muito suor e trabalho. Por sinal essas duas modalidades de 'passatempo'- diversão e trabalho- parecem não se harmonizarem perfeitamente. Pelo menos no que se refere a intensidade. A Mãe Natureza em sua infinita generosidade assim se tem apresentado aos seus filhos-hóspedes: onde ela mostrar muitas riquezas minerais(ouro, prata, cobre e pedras preciosas) via de regra o solo destinado a agricultura não será dos mais férteis. A recíproca pode ser verdadeira. Neste caso temos o direito de deduzir que o homem que honra a mãe Terra com trabalho árduo e pertinaz dela certamente receberá condições de viver com dignidade. Não é uma conclusão pessoal. Apenas limito-me a fazer resgate parcial, e um tanto discreto ao inesquecível patrício Luiz Carlos Barbosa Lessa(in: "República das Carretas" e "Rio Grande do Sul, Prazer em conhecê-lo"!). Pensemos nisto enquanto me retempero em novas reminiscências.
No domingo de carnaval programava-se 'pic-nic' na praia do rio Cacequi. Outras vezes, no forte do verão, explorava-se a mata ciliar nativa desde a confluência do rio Cacequi com o Santa Maria até o ponto onde este rio se lança no Ibicui, bem depois da bela 'praia dos dourados', à altura da ponte do Entroncamento. Chegávamos aí em excursões organizadas pelos funcionários administradores da Estação Ferroviária local. Outra alternativa para escapar das escaldantes areias cacequienses era buscar as praias do rio ibicui, próximas do outrora porto fluvial, onde até aqueles dias existia o 'esqueleto' de um antigo vapor que fizera, em outros tempos, a linha regular entre Cacequi e Uruguaiana. A chegada dos trens fez desativar o transporte fluvial. Terminadas as férias de verão nos limitávamos aos passatempos triviais. Bingos dançantes no Comercial, ou Jogos de bolão e ping-pong. Vez que outra uma famosa orquestra procedente da região do Rio da Prata chegava de trem, vindo de Uruguaiana ou de Livramento, e animava um baile de 'arromba' que jamais seria esquecido. No próximo trem seguia para Santa Maria e outras partes de nosso Estado e País. Donato Racciatti, Cassino de Sevilha, Pedro Borgo, Suspiro de Espanha, e outros ainda são recordados. Considerado 'bom menino', estudioso, trabalhador e empregado, eu despertava o interesse entre algumas moçoilas. Quando quis mostrar serviço já estava na hora e fui convocado para o serviço militar. Ao entardecer de algum domingo ou feriado, saíamos a caminhar, conversando ou cantarolando, pela campina florida próxima e ao longo da via férrea. Grupos de quatro ou cinco moçoilas, irmãs e primas entre si, e eu de "bem-dito-o fruto", com a cabeça repleta de caraminholas. Nunca fui chegado no futebol. Brasil, Humaitá, Aimoré, Gremio da Cooperativa Ferroviária e Independente eram os times de futebol que disputavam o campeonato citadino, na Cacequi daqueles dias. Hoje, decorrido um pouco mais do que meio século e já me encontro enredado nas circunstâncias que me permitem examinar muitas das conseqüências do maior folguedo popular do mundo. O Carnaval brasileiro, pretendido por muitos como 'o maior espetáculo da face da Terra'. É claro que não tenho a mesma motivação dos dezoito anos para avaliar esse festejo. Minha consciência não melhorou nem piorou. Está amadurecida apenas. Às luzes do modernismo contemporâneo nossa percepção haverá de adquirir outras e mais compatíveis nuances. Assim é que a ilusão, natural e necessariamente, terá se esvaecido graças a uma gradativa conscientização espiritual. Até os sessenta e cinco anos trabalhei em média doze horas diárias; às vezes mais. Aos domingos e feriados a jornada era reduzida para oito ou dez horas. Raras vezes tirei férias, que à época ainda eram de vinte dias. Nos quase vinte anos em que realizei análises clínicas, por inúmeras vezes fui solicitado a atender urgências noturnas nos fins-de-semana e feriados, mesmo pelos convênios. Em determinadas ocasiões, sob uma carga tal de tensão psicológica, decidia no meio da noite, ir tirar uma 'soneca' em casa. Por vezes o sono não se apresentava e o remédio era retornar ao trabalho. Não podia deixar acumular serviço que poderia comprometer a inesperada demanda por resgate à saúde cuja ameaça não escolhe hora para bater em nossa porta. A prudência até nos alerta, invariavelmente creio, mas por invigilância nos tornamos vítimas. O tempo se deixou perceber e com ele os inevitáveis frutos das semeaduras da juventude. A idade chegou, e com ela inexoravelmente o declínio da saúde. A aposentadoria por tempo de serviço e a posterior migração para a farmácia comunitária se me afigurou como solução. O quotidiano mostrar-me-ia a dimensão do equívoco. Quando se exerce uma profissão voltada diretamente para a saúde pública jamais estamos livres de ser exigidos em nossos préstimos. A consciência profissional deve estar sempre vigilante. Mesmo num baile de carnaval, ou dois!; ou os três dias. Isto se o vivente tiver fôlego, como quando eu era jovem. Sou suspeito. Participei de poucos carnavais. Maioria quando solteiro. Raros depois de casado. Jamais em detrimento de minha performance profissional. Não fui folião notável. Sempre trabalhei na segunda e quarta-feiras. E nos dias subseqüentes. Tendo sempre ao meu lado minha esposa como fiel auxiliar e escudeira. Assim é que eu podia observar muitas das conseqüências dos Folguedos de Momo. Alguns pacientes com exames agendados para os dias seguintes ao término do carnaval raramente compareciam. Não eram os mais necessitados, certamente. Aqueles costumavam remarcar para outra data. A nível de Previdência esta atitude sobrecarrega o serviço em detrimento daqueles que não se divertiram e que na maioria dos casos são os reais necessitados. Uma questão de consciência individual que por inúmeras vezes acaba por comprometer a eficiência dos serviços de saúde pública, principalmente. Se consultarmos dados estatísticos confiáveis vamos constatar a exacerbação de muitos casos de declínio de saúde pública decorrente dos exageros cometidos nesses prolongados dias de permissivismos de toda ordem. Oficialmente talvez não nos cheguem os números, nos primeiros dias. Posteriormente, o tempo, "herói da trama", se encarrega de mostrar ao observador diligente a imagem corrigida da realidade. Os exageros são cometidos por todas as camadas sociais. A classe média é a mais comedida e também sacrificada. É nela que estão situados os grandes contribuintes de impostos. São os mesmos que na maioria das vezes educam seus filhos eletiva e seletivamente em escolas qualificadas cujos ex-alunos conseguem os melhores empregos e cargos de liderança. São também os mais visados pelos criminosos por deterem melhores referenciais. É por isso que essa faixa social está gradativamente se adelgaçando, e seus ex-membros migrando, vão 'engordar' classes menos aquinhoadas que assim passam a onerar cada vez mais fortemente os cofres públicos para os quais os remanescentes - mormente os da iniciativa privada formal- são compulsoriamente chamados a contribuir cada vez mais pesado. Pois os da informal, na qual se encontram muitos marginais, assaltantes, narcotraficantes, e a maioria corrupta dos que integram a classe política deste país, raramente são enquadrados e punidos em virtude de dispositivos legais elaborados pelos próprios. Nunca é demais recordar que até a alguns anos passados, era cultura em nosso País os governantes aproveitarem-se dos períodos em que a população estava entregue aos festejos e recreações para, 'discreta' e 'democraticamente', pôr em prática algum projeto ou decretar alguma medida claramente lesiva aos interesses da população ativa da iniciativa privada. Pois é esta que paga o pato, ao fim e cabo. Afigura-se-me imperioso reconhecer a possibilidade de surgimento de inúmeros postos geradores de trabalho e renda para os humildes da informalidade, durante esses folguedos de Momo. Mas há que manter-se também a máxima vigilância. Esta deve estar focada na qualidade e quantidade das mercadorias e serviços destinados ao grande público consumidor nessas ocasiões festivas. E também no fato de que muitos pequenos vendedores são na realidade representantes de grandes empresários empenhados em obter lucros fáceis e isentos de tributação compatível. Quem vive nas regiões de grande adensamento populacional e se dispor ao trabalho de conferir tais fatos saberá a que me estou referindo. Longe de aspirar a pecha de intolerante, cumpre-me asseverar que tenho sempre em mente a máxima "a resposta é sempre individual". A todo o instante a mídia nos dá conta da trajetória que nosso País vem descrevendo rumo ao grupo de elite, integrado por Nações do primeiro mundo. Temos que nos reportar ao fato de que nesse grupo especial encontram-se Povos que num espaço de tempo relativamente curto transformaram limões em salutar limonada. A Alemanha atual, reunificada depois de ser arrazada, se constitui num dos exemplos mais edificantes. Muito antes mesmo de ser dividida pelo falimentar regime comunista, viveu épocas de intensas agruras. Grande parte de seu povo veio dar com os costados em nosso Brasil há mais de cem anos. E essa população, em sua maioria, aqui desembarcou cadastrada como "colonos". Hoje constituem as cidades listadas entre as de mais alto Índice de Desenvolvimento Humano da Região Sul, e de nosso País como um todo. Outro exemplo de semelhante magnitude são as regiões identificadas como de colonização Italiana cujos Imigrantes integram as regiões em que estão as Comunidades mais ricas de nossos Estado e Pátria. Em menores contigentes vieram outros povos como Russos, Holandeses, Japoneses, Chineses, Judeus, Portugueses, Espanhóis e até Nórdicos. Todos atraídos em comum, pelo solo fértil e abundante. As regiões ou comunidades onde se estabeleceram progrediram às custas de muito trabalho e tenacidade. Hoje quando assistimos desfiles carnavalescos podemos facilmente identificar os grandes centros geradores de diversão e laser e os grandes pólos geradores de divisas às custas de muito suor e trabalho. Por sinal essas duas modalidades de 'passatempo'- diversão e trabalho- parecem não se harmonizarem perfeitamente. Pelo menos no que se refere a intensidade. A Mãe Natureza em sua infinita generosidade assim se tem apresentado aos seus filhos-hóspedes: onde ela mostrar muitas riquezas minerais(ouro, prata, cobre e pedras preciosas) via de regra o solo destinado a agricultura não será dos mais férteis. A recíproca pode ser verdadeira. Neste caso temos o direito de deduzir que o homem que honra a mãe Terra com trabalho árduo e pertinaz dela certamente receberá condições de viver com dignidade. Não é uma conclusão pessoal. Apenas limito-me a fazer resgate parcial, e um tanto discreto ao inesquecível patrício Luiz Carlos Barbosa Lessa(in: "República das Carretas" e "Rio Grande do Sul, Prazer em conhecê-lo"!). Pensemos nisto enquanto me retempero em novas reminiscências.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
PARA REFLETIR !
Você, respeitável leitor, que vem acompanhando minha performance desde o início do relato destas memórias, certamente terá se questionado até que ponto muitos enfoques podem apresentar resquícios de fatos verossímeis e quantos dos mesmos serão fantasiosos. Não me acode, neste instante, oferecer-lhe argumentos persuasivos mais poderosos do que aquele representado pela própria capacidade perceptiva de sua consciência intuitiva. São modestas reportagens de experiências das quais algumas recordações já se poderiam ter perdido no nevoeiro secular. Certamente que esqueci muitos episódios, o que entendo inevitável. Os outros venho apresentando um tanto resumidamente. E neste aspecto reside, talvez meu maior pecado, creio. Seria deveras afortunado possuir talento mnemônico e escrúpulos vernaculares capazes de me permitir apresentá-lo com maior fidelidade. Alguns episódios foram deliberadamente omitidos. Ora movido pela ausência de pormenores que lhe emprestassem sentido; ora esquecidos por uma espécie de bloqueio psíquico manifestado na intenção de varrer da existência fatos constrangedores e mesmo aviltantes para um humilde exemplar da raça humana. Em quaisquer dos casos tive a preocupação de não permitir que tais defecções venham comprometer a essência do ensaio. Tenho 'pegado leve' , como se costuma dizer, ao referir-me a determinado assunto em relação ao qual tenho posição definida. Penso que é um procedimento que envolve a consciência e esta necessita se adaptar à luz das circunstâncias vigentes. Mas afinal que atributo é esse que, na maioria das vezes, somente os humildes, inocentes, fracos e oprimidos alegam ser por ele bafejado?. Vejamos uma seqüência de fatos que bem podem ilustrar a manifestação desse caráter. A exposição ou semeadura é livre, da minha parte. O julgamento, ou colheita, necessariamente ser-lhe-há da competência. De uma feita, num raro lampejo de sorte, trabalhando em minha drogaria, tive a atenção desviada para o programa que determinada emissora de rádio estava veiculando. Era uma entrevista com o titular do Poder Judiciário local. Não ouvi mas deduzi a pergunta através das palavras com que o representante do ministério público usava como resposta. Reportava-se ao fato de grassar francamente, no seio da sociedade local, uma forte rejeição ao fato de ele se relacionar de maneira tão estreita, quase íntima, com ex-detentos. Algum deles teria sido condenado por crimes bastante graves. A justificativa segundo a autoridade: seu relacionamento com os ex-apenados decorria do fato de os dito-cujos serem cidadãos quites com as leis que os reintegravam a sociedade após terem resgatado sua dívida com a mesma. Além do mais pelo ponto de vista cristão também tinham direito à fraternidade da sociedade. Não continuei a escutar as demais perguntas e respectivas respostas. Arbitrei que as últimas já me bastavam para considerá-las comprometidas com os princípios da moral e da ética, latentes em minha quase septuagenária consciência. Esta, prudentemente, não se permite aceitar esse desfecho judicial, embora reconhecendo-me insuficiente para modificá-lo. É possível que esteja a cometer um crasso equívoco. Se assim for penitencio-me. Mas de que maneira posso enxergar justiça numa situação em que um bandido atenta contra uma família, assassinando um e estigmatizando física e moralmente outros membros da mesma. Família essa, ou o que dela restou, que continuou trabalhando árdua e sofridamente para tocar com alguma dignidade a vida dos que restaram do ignominioso crime. Selvageria não, visto que os selvagens não são dados a essa modalidade de crime, que é apanágio dos cara-pálidas. Os remanescentes, também vítimas, teriam e terão que pagar impostos que, ao fim e cabo, reverterão pra compor o alto salário do meretíssimo e seus colegas de Judiciário. É ainda, do sangue e suor de seus labores que sairá uma parcela que, na forma de tributo, irá financiar o falido, corrupto e imoral sistema que controla a rede carcerária de onde o facínora, depois de alguns meses, às vezes anos, sairá livre e pós-graduado para novas aventuras criminosas. Sempre escudado pelas leis brandas e a impunidade. Isto tudo considerando a hipótese de ir a júri, e se julgado culpado chegar mesmo ao ponto de ser trancafiado. As mordomias prisionais se constituem em fatores atraentes pra muitos que por vezes pra elas retornam em seguida . Alegando não conseguirem emprego devido a suposto preconceito da classe patronal, se envolvem em novos conflitos e retornam para o xilindró onde tem moradia, roupa , alimentação em marmita 'quentinha', além de assistência psicológica que a maioria dos trabalhadores assalariados desconhece. A distorção é de tal ordem que o famoso criminoso narcotraficante, conhecido por 'Fernandinho Beira-mar' que, segundo as "boas línguas", foi capturado e é mantido encarcerado graças a poderosos e escusos interesses, inclusive políticos. Essa "notável personalidade" tem tanta importância para o "sistema" que o 'aparato de segurança' é especialmente REFORÇADO quando ele tem de ser transferido de uma pra outra Prisão de Segurança Máxima. Não sabemos segurança máxima de 'quem'. Da população brasileira que paga a conta não é, certamente. Cada aparatosa transferência- já foram várias, segundo a mídia ordinária- tem um custo muito superior ao da segurança do próprio Presidente Brasileiro, que por sua vez supera amplamente os dispêndios de alguns seus colegas mandatários dos países do Primeiro Mundo, com essa mesma rubrica orçamentária. Alguns detentos fazem cursos e parecem realmente recuperados. Assim quando são libertados conseguem trabalho e reiniciam uma existência digna. Outros meliantes acabam perpetrando novos crimes movidos pela atrativa criação do Salário de Reclusão cujo valor é superior ao do Salário Mínimo Nacional!!!. Ôpa!, mas que país é este em que um criminoso pode ganhar salário de recluso, por não poder trabalhar?. E salário superior ao Salário Mínimo com que se pretende remunerar as vítimas e seus dependentes, as quais, com seus sacrifícios, estão pagando para aquele fazer curso de aprimoramento em bandidagem. Verdadeiras Mordomias são exigidas a custa da depredação dos presídios e patrimônio público, acintosa e impunemente, como se propriedade pessoal do detento fosse. Onde estão as colônias-penais em que os apenados poderiam se ocupar trabalhando e produzindo o que consomem e até vendendo seus produtos para a sociedade que lesaram, recebendo dessa uma remuneração dignificante e compatível. Em vez de ficarem se ' reciclando' no crime dentro das imundas cadeias públicas que fazem recordar as sórdidas masmorras da idade média. Das quais o indivíduo certamente saí pior do que quando nela ingressou!. E quando saí, geralmente portando doença infecto-contagiosa, se candidata a paciente do SUS, entidade sustentada arbitrária e covardemente com os recursos arrecadados compulsoriamente dos associados , e abstraídos criminosamente dos aposentados que por anos a fio contribuíram com valores mais elevados, na expectativa de um dia virem a ter uma velhice mais tranqüila, inclusive com plano de saúde que lhes possa assegurar atendimento, no mínimo mais digno. Na prática verifica-se que muitos cidadãos contribuintes estão reduzidos a injusta situação de igualdade com muitos de seus algozes. Resultado: vão se juntar também aos criminosos, disputando , como se fosse uma 'esmola', o falido serviço público de saúde brasileiro. Antigamente o Ministério da Saúde mantinha a assistência social. Depois fundiram todos os 'iapês'(IAPC, IAPB, IAPFESP, IAPTEC, IAPI, etc) que davam lucro, num único a que denominaram INPS , o qual agora só arrecada. Coube ao agora SUS a tarefa de 'ministrar' saúde a quem paga por si e pelos marginais de que me referi antes. É O BRASIL, PAÍS DE TODOS! (principalmente dos INJUSTIÇADOS, que arcam com o ônus cobrado impunemente pelos DESONESTOS). Neste ponto sou tentado a confessar saudade do governo militar, em que o trabalhador era respeitado e a bandidagem não tinha muita folga. Será que a tão execrada ditadura militar realmente vitimou( entre 1964/83) tantos brasileiros quantos são os trucidados na violência do trânsito e nas favelas e ruas das grandes cidades pelo crime dito organizado?. Ou seria um pretexto para se instalar uma ditadura de esquerda em nosso País?. Temos direito e dever de questionar a validade de determinados programas sociais, demagogicamente implementados com recursos desviados dos aposentados da iniciativa privada, especialmente do INPS tão supravitário, que embora seja constantemente roubado, não quebrou oficialmente, ainda!. E a tão propalada inclusão social em que os jovens são mostrados pela mídia envolvidos principalmente com capoeira, luta livre, futebol, além de outros esportes populares. Ou praticando artes, dança e música, inclusive clássicas. Um País de dimensões continentais e imensas áreas agriculturáveis não tem o direito de relegar a atividade primária a segundo plano, especialmente quando, segundo a mídia, milhões de brasileiros passam fome. Não entendo também essa reforma no modelo educacional em que muitas vezes o indivíduo mal acabou sua alfabetização, e via ENEM( exame nacional de ensino médio) tem acesso à Universidade, em detrimento de muitos que tiveram que pagar caro para concluir um embasado curso secundário. Minha expectativa é que entre aqueles esteja o PRIMEIRO Prêmio Nobel brasileiro. Vale lembrar que a alguns anos atrás só na Universidade Nacional de Buenos Aires, capital Argentina, eram contados CINCO professores com esse galardão. Não sou do contra. Sou a favor de programas bem fundamentados que não ofereçam margem para manipulação desonesta de verbas públicas. Temos o exemplo bem sucedido do estadão de São Paulo. Há mais de três quartos de século vem investindo parelho em todos os setores, especialmente na educação tecnológica e na produção primária que tem o poder de alimentar o maior parque industrial da América Latina e arrastar o restante da economia brasileira. Com uma área territorial cerca de onze vezes inferior a da Argentina consegue um PIB superior várias vezes ao daquele país. Mas estes dados estão desatualizados. São humildes divagações à guisa de exercício. Futuramente, com mais fôlego, talvez me atreva a alçar vôos mais promissores.
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